Google

Saturday, May 31, 2008

GLOBO REPÓRTER – 30/05/2008
Exma. Mídia:
Assistindo a reportagem das proezas de pessoas que com sorte, saíram do nada para uma vida abastada e sabendo que são poucos no universo de pessoas existentes, me veio à mente a facilidade com que a mídia encontrou para mostrar um lado bem sucedido de uma minoria brasileira.Sabemos todos nós que a maioria vivem umas realidades diferentes, que mesmo lutando com todas as forças não conseguiram chegar lá impedidos na maior parte por injustiças e decepções sofridas. Até hoje com 47 anos de vida, nunca vi nenhum desses milhões... Receber destaque em algum canal de TV com tamanho valor ser mostrado ou reportado com tanta ênfase em um programa tradicional e famoso como o Globo Repórter, e, escrevo porque pertenço à classe desses milhões detentores de uma história diferente da mostrada com destaque em Rede Nacional em 30/05/2008. Sendo assim fica uma pergunta ainda sem resposta, porquê? Será meu mundo outro? Creio que não, pois sei que minha história, que é igual a muitas que existem e representa muito para mim, não seja de interesse das grandes reportagens ou até mesmo de opiniões defendidas por “valores” detentoras e patenteadas por grandes conglomerados de comunicação que com reportagens como a divulgada sexta-feira à noite na mídia, se abastece e ao mesmo tempo se sustenta na publicidade de incentivo do consumismo desenfreado seja o produto qual for, alimentando a ilusão e fantasia das pessoas, sendo assim catastrófico para a sociedade no despertamento da busca e cobiça... Sem precedentes daquilo que muitas vezes não se pode alcançar. Escrevo não como um desabafo, mas uma opinião de um cidadão brasileiro que como tantos outros tem uma opinião a ser defendida, mesmo assistindo, outras opiniões formadas e defendidas com unhas e dentes.

Obrigado.

Wednesday, May 28, 2008

Crise bilateral em discussão

Os vice-chanceleres da Colômbia e do Equador, Camilo Reyes e José Valencia, se reuniram ontem no Panamá para encontrar uma solução definitiva à crise bilateral. A tensão começou em 1º de março, quando tropas colombianas invadiram o território equatoriano, para atacar um acampamento das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), e mataram o guerrilheiro Raúl Reyes. Na semana passada, os chefes militares de ambos os países também se encontraram no Panamá, para decidir sobre o reestabelecimento da “cartilha se segurança” na fronteira.

Camilo Reyes e José Valencia já tinham conversado em 29 de abril (no Panamá) e em 13 de maio (em Lima), mas a crise persiste. Segundo o governo equatoriano, o presidente colombiano, Álvaro Uribe, continua a acusar os vizinhos de serem cúmplices das Farc. As conversas iniciadas ontem também terão a participação de Víctor Rico, representante pessoal do secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza.


Folha de São Paulo McCain quer acordo nuclear com Rússia
McCain quer acordo nuclear com Rússia
DANIEL BERGAMASCO - DE NOVA YORK

O senador John McCain, virtual candidato republicano à Presidência dos EUA, se distanciou da política internacional unilateralista do presidente George W. Bush ao defender ontem em discurso que os Estados Unidos busquem "parcerias" globais para redução do arsenal de armas nucleares.

No pronunciamento em Denver, Colorado, McCain defendeu especialmente a negociação com a Rússia para redução de armas nucleares e também citou a abertura de diálogo com a China sobre o tema.

"A Rússia e os Estados Unidos não são mais inimigos mortais. Como nossos dois países possuem a esmagadora maioria de armas nucleares do mundo, nós temos uma responsabilidade especial de reduzir esse número", declarou, em uma clara ruptura com pronunciamentos anteriores em que foi muito mais duro com o antigo rival dos anos de Guerra Fria.

Em outro momento, o senador afirmou que os EUA devem ser "um modelo para os outros". "Isso significa não apenas perseguir nossos próprios interesses, mas reconhecer que compartilhamos interesses com povos ao redor do planeta", disse McCain, para quem a abertura diplomática se baseia no "grande e permanente poder da América de liderar".

Diferente de Bush
O pronunciamento de ontem foi o segundo no qual o senador do Arizona enfatizou sua visão sobre diálogo multilateral distinta da de Bush -que apóia sua candidatura e participou à noite de evento para levantar fundos para a campanha.

Na primeira vez em que pontuou diferenças, há algumas semanas, o candidato declarou que, como presidente, estaria disposto a fazer concessões para combater o aquecimento global. Bush, por sua vez, é pouco flexível sobre o tema, tendo retirado o país do Protocolo de Kyoto, destinado a reduzir a emissão de gases causadores do efeito estufa.

Já na política internacional sobre armas, Bush rompeu em 2002 o Tratado Antimísseis Balísticos (TAB), criado em 1972, no qual países concordavam em não construir sistemas de defesa antimísseis.

"O que McCain disse no discurso sobre armas nucleares soa muito mais próximo da política do [ex-presidente Richard] Nixon e de George Bush pai, que defendiam que os EUA deveriam ser um modelo e, assim, liderar o mundo. É um retorno à maneira de liderar do Partido Republicano", disse à Folha Matthew Bunn, especialista em política internacional e proliferação nuclear da Universidade Harvard.

"Já Bush filho não se importa em dar exemplo a ninguém e adotou uma política que o distancia do resto do mundo, como você pode ver por Guantánamo", afirmou, citando a prisão em base militar que os EUA mantêm em Cuba para suspeitos de terrorismo e onde prisioneiros denunciaram a prática de tortura.

Protesto
No salão da Universidade de Denver onde McCain fez o discurso, o candidato foi interrompido algumas vezes por manifestantes contra a Guerra do Iraque, cuja continuidade é apoiada pelo candidato. Em resposta, McCain repetiu: "Eu nunca me renderei no Iraque".

McCain ainda citou a Coréia do Norte e o Irã, com os quais "é preciso ser mais rígido" na verificação de armas nucleares, e voltou a refutar a proposta do rival democrata Barack Obama de dialogar com países "hostis".



Folha de São Paulo Documento bilateral teve três revisões
DA REDAÇÃO

No seu discurso de ontem, McCain afirmou que apóia um novo acordo de redução de armas com a Rússia para substituir o Tratado de Redução de Armas Estratégicas (Start, na sigla em inglês), que expira em 2009. O governo Bush tem se recusado a aceitar novos limites obrigatórios de redução dessas armas.

O Start, de 1991, visou a a redução do arsenal atômico das duas potências. Firmado meses antes do fim da União Soviética, foi visto como um pacto para encerrar a Guerra Fria.

O texto obrigava os dois lados a reduzirem em 35% seu estoque de armas nucleares de longo alcance, avaliado em 10 mil ogivas cada, em sete anos -a meta foi alcançada. O Start-2, que entrou em vigor em 1996, e o Start-3, de 1997, pretendem reduzir o estoque de ogivas para 2.000 de cada lado até 2012.

Segundo especialistas, os EUA dispõem hoje de pelo menos 5.300 ogivas operacionais e 5.000 em reserva. A Rússia teria 4.700 armas nucleares operacionais.


O Globo FAB muda 15% das rotas de helicópteros no Rio
Tiros contra aeronaves e aumento do tráfego aéreo são as causas; Aeronática estuda ainda outras alterações
Antônio Werneck, Fábio Vasconcellos e Taís Mendes

No ano passado, a Aeronáutica implantou no Rio novos corredores de circulação de helicópteros e alterou o desenho de algumas rotas, levando em conta a insegurança de pilotos e passageiros e também o aumento do volume de tráfico aéreo na Região Metropolitana. A informação foi revelada em nota pelo comando da Força Aérea Brasileira (FAB), admitindo que as alterações atingiram cerca de 15% do traçado, com o estabelecimento de novas altitudes, rumos e até novas rotas.

Ainda segundo a FAB, novas mudanças podem acontecer no espaço aéreo do Rio este ano. O assunto será discutido na reunião que o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) realizará nos próximos meses, em data a ser definida. Na pauta de discussões, os "problemas relacionados com o movimento de aeronaves na região do Rio de Janeiro, a exemplo do que já aconteceu em São Paulo, em fevereiro deste ano", diz a nota. A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) confirmou ontem a existência de registros na Gerência Regional (Ger 3) - como noticiou ontem O GLOBO - de helicópteros atingidos por balas quando sobrevoavam morros do subúrbio do Rio, em 2007.

Helicóptero foi atingido por bala na sexta-feira passada
Apesar das mudanças, um novo caso aconteceu na última sexta-feira: um helicóptero modelo esquilo AS 350 B, fabricado em 1986, foi atingido por uma bala de fuzil no tanque de combustível quando seguia, com seis pessoas, do Rio para Ibitipoca, em Minas Gerais. O incidente aconteceu por volta das 9h30m, na Vila Cruzeiro, no Complexo do Alemão, na Penha, a cerca de 500 pés de altitude (cerca de 160 metros a partir do ponto mais alto). A bala perfurou a fuselagem, atingiu o tanque de combustível e se alojou no banco a cerca de três centímetros de um dos passageiros.

Logo que percebeu que o aparelho havia sido atingido, o piloto entrou em contato com a torre de controle do Aeroporto Internacional Tom Jobim, na Ilha do Governador, e foi autorizado a fazer um pouso de emergência. No helicóptero, além do piloto, não identificado, estavam o empresário Arthur Bahia; a mulher, a artista plástica Mucki Skowronski; o casal de empresários mineiros Renato e Cristina Machado; e a arquiteta Márcia Müller. Ninguém ficou ferido. A Polícia Civil abriu ontem à tarde inquérito para investigar o caso.

Governador recebeu e-mail da artista plástica
O governador Sérgio Cabral assegurou que vai continuar a enfrentar os criminosos, lembrando que os moradores do Complexo do Alemão também sofrem com a violência.

- Até conheço pessoalmente as pessoas que estavam no helicóptero e fiquei muito sentido. Imagino o pavor. Nosso objetivo é dar tranqüilidade à população, seja para quem anda de helicóptero, para quem anda a pé ou para quem mora nessas comunidades, os que mais sofrem. Recebi um e-mail da Mucki (referindo-se a artista plástica Mucki Skowronski, uma das passageiras) e ontem mesmo respondi. São meus amigos. Disse que sentia muito e que imaginava o terror que sentiram - afirmou o governador Sérgio Cabral.

Sunday, May 25, 2008

Lula tem encontro 'tenso' com Correa, Evo e Chávez
Antes da assinatura do tratado da Unasul, presidente equatoriano ainda fazia restrições a formato do acordo
O primeiro compromisso da agenda do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ontem foi um café da manhã com os presidentes do Equador, Rafael Correa, da Bolívia, Evo Morales, e da Venezuela, Hugo Chávez, para garantir uma assinatura sem surpresas do trato constitutivo da União Sul-Americana de Nações (Unasul). Foi, na descrição de assessores presentes, um encontro “tenso”. Nos últimos momentos, às vésperas da assinatura definitiva, Correa ainda apresentou restrições ao formato do tratado.
Na estrutura final da Unasul, a secretaria-geral - que ficará no Equador - terá menos poder que o conselho de delegados e delegadas, sendo apenas a quarta instância de decisão. O presidente equatoriano acredita que os seus delegados não refletem fielmente as posições de seu governo. No entanto, o Equador não havia questionado seriamente a formatação final, porque o principal candidato a secretário-executivo da Unasul era o equatoriano Rodrigo Borja, que renunciou na última quinta-feira, mudando o quadro.
Corrêa foi convencido a abandonar os seus pleitos em nome da harmonia na Unasul e para não criar mais problemas em um acerto já complicado. O governo brasileiro já esperava um revés em relação ao anúncio da criação de um conselho de defesa na Unasul, rejeitado pela Colômbia e visto com reservas por outros países da região, o que dava mostras de um relacionamento ainda muito complicado.
CONSTRANGIMENTO
Em 2005, durante outro encontro em Brasília, Lula teve de passar pelo constrangimento de ver o presidente venezuelano negar-se em público a assinar a declaração final dos presidentes que previa criação da Comunidade Sul-Americana de Nações - o primeiro nome da Unasul -, depois de um dia inteiro de negociações.
Naquela ocasião, Chávez exigia que o debate continuasse até que todos chegassem a um consenso sobre o tratado constitutivo. Diante da imprensa, o venezuelano passou um pito no chanceler brasileiro, Celso Amorim, que tentou convencê-lo a assinar a declaração.
Coube ao presidente Lula a tarefa de apaziguar Chávez e convencê-lo sobre a importância de assinar o documento
O Estado de São Paulo

Adesão de vizinhos deve demorar 5 anos
Entidade pretende se expandir para América Central e para o Caribe
A União Sul-Americana de Nações (Unasul) terá um período de carência de cinco anos até começar a agregar vizinhos da América Central e do Caribe que venham a se interessar pelo processo de integração. Otimistas, os negociadores do documento previram que os pedidos de adesão vão aparecer.
O texto prevê que só os países que tenham passado quatro anos na condição de Estados Associados poderão se candidatar. A adesão será decidida por consenso pelos presidentes. O documento firmado ontem pelos 12 países não impõe a vigência da democracia plena como condição para a permanência no grupo.
A estrutura de decisão da Unasul repetiu, com alguma flexibilidade, a do Mercosul. No tratado, curiosamente, todas as autoridades são mencionadas nos gêneros feminino e masculino. O comando estará nas mãos do conselho de “chefes e chefas” de Estado. Abaixo, estará o conselho de “ministros e ministras” de Relações Exteriores. Na negociação para valer, estará o conselho de “delegados e delegadas” e, por fim, a secretaria-geral - o órgão executivo com poder minguado, como no Mercosul, que terá sua sede em Quito (Equador). A cada ano, um país presidirá a Unasul. Desde ontem, é a vez do Chile.
A pressão de Bolívia, Venezuela e Equador para criação imediata de um Parlamento Sul-Americano, com sede em Cochabamba, foi diplomaticamente podada. O tratado prevê que a formação dessa Casa será objeto de protocolo adicional. O texto firmado ontem deverá entrar em vigor 30 dias depois de nove países, no mínimo, terem ratificado o tratado nos seus Congressos.
O Estado de São Paulo

Jefferson Péres morre aos 76
Senador do PDT, cuja marca principal era a defesa da ética na política, teve um enfarte em casa, em Manaus
Vítima de um enfarte fulminante, o senador Jefferson Péres (PDT-AM), reconhecido pela permanente briga no Congresso em defesa da ética, morreu ontem, por volta das 6 horas, em sua casa, no bairro Adrianópolis, em Manaus. Aos 76 anos, o parlamentar tinha atuação dura, relatou casos rumorosos - como a cassação do ex-senador Luiz Estevão e um processo contra o ex-presidente do Senado Renan Calheiros (PMDB-AL) - e era forte crítico do governo Lula, apesar de o seu partido integrar a base aliada. Sua morte foi lamentada no meio político, com manifestações das principais expressões nacionais.
A mulher do senador, a juíza aposentada Marlídice de Souza Carpinteiro Péres, de 60 anos, disse que o senador acordou no horário habitual, por volta das 5h30, tomou café e desceu as escadas de sua casa, de dois andares, para apagar as luzes do jardim. Não fez a costumeira caminhada ao redor da piscina, exercício que praticava todas as manhãs. Ao retornar para o quarto, sentou-se na cama e reclamou de forte dor no peito. “Estou passando mal”, disse.
Marlídice chamou o médico da família, César Cortez, mas não houve tempo para prestar socorro. “Ele era hipertenso arterial. Teve enfarte agudo fulminante, que causa parada cardíaca e respiratória”, explicou o médico. A mulher e dois filhos do senador, Ronald e Roger, estavam em casa. O terceiro filho, Rômulo, estava nos Estados Unidos, a passeio, e tentava ontem retornar a Manaus.
Líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio Neto (AM) acompanhou Péres em sua última viagem de Brasília para Manaus. “Ele aparentava estar muito bem”, contou o tucano. Durante o vôo, conversaram sobre política, filmes e literatura. Eles desembarcaram na capital amazonense às 13h30 de quinta-feira. Naquela tarde, Péres acessou sites de notícias, colocou em dia artigos que publicava em jornais e organizou a agenda. “Foi um nome que o Amazonas doou para o País. Uma referência de ética e de moralidade”, lamentou Virgílio, ao saber da morte.
O velório movimentou ontem o Centro Cultural Palácio Rio Negro, antiga sede do governo do Amazonas. O enterro será hoje, às 16 horas, no cemitério São João Batista, no bairro Adrianópolis, onde Péres morava. O governo estadual decretou luto por três dias. No Senado, a bandeira ficará a meio mastro por esse mesmo período.
REPERCUSSÃO
Ultimamente, Péres defendia abertamente uma ampla investigação sobre as suspeitas envolvendo o deputado Paulinho Pereira da Silva (SP), o Paulinho da Força, filiado ao seu partido. Da mesma forma, criticava o governo Lula, embora seu partido componha a base aliada no Congresso.
A notícia de sua morte se espalhou e levou ao Congresso, em plena sexta-feira pós-feriado, todos os senadores que estavam em Brasília. O presidente do Congresso, Garibaldi Alves (PMDB-RN), foi imediatamente à Casa, abriu a sessão consternado e referiu-se ao pedetista como um “um senador franzino e pequenino que se agigantava” na defesa da democracia.
“Perdemos um grande senador, grande homem público, um homem dedicado à defesa da democracia, um dos sustentáculos da coluna vertebral do Senado”, discursou Garibaldi. “Foi-se um guerreiro de luta e coerência. É uma perda muito difícil”, disse a senadora petista Serys Slhessarenko (MT).
“Essa morte, de chofre, nos deixa a todos consternados. Péres foi um companheiro altivo, independente, que sempre mereceu o nosso respeito, até quando discordávamos dele. Era um homem íntegro, probo e um baixinho que provou que tamanho não é documento”, afirmou o senador Geraldo Mesquita (PMDB-AC).
Também senador pelo Amazonas, João Pedro (PT) era um dos mais emocionados. “Fui vereador com ele nos dois mandatos em Manaus e também fomos eleitos senadores juntos. O Amazonas perde muito pelo homem público que era o senador Jefferson Peres, referência nacional. Senador franco, duro, exigente, mas profundamente ético”, afirmou.
Médico, o senador Mão Santa (PMDB-PI) disse que o colega não tinha “perfil” para ser vítima de enfarte. Funcionários do gabinete de Péres receberam centenas de telefonemas de solidariedade. “A saúde estava em dia”, afirmou um assessor.
REPERCUSSÃO
José Serra (PSDB)
Governador de São Paulo
“Ele era um conselheiro. Pessoalmente, eu perco um amigo e alguém que sempre me incentivou na luta política. Jefferson foi dos nossos
melhores senadores e melhores integrantes do Congresso. Era um homem firme, sereno, de convicções democráticas profundas, muito bem preparado”
José Múcio Monteiro
Ministro das Relações Institucionais
“A democracia amanhece empobrecida. Jefferson Péres foi um homem que
pautou a sua vida pelos princípios da ética e da moralidade”
Nelson Jobim
Ministro da Defesa
“Era um homem importante, um grande amigo. Desempenhava um papel
dentro do Senado que tinha uma funcionalidade muito forte. É uma grande perda”
Carlos Lupi
Ministro do Trabalho e ex-presidente do PDT
“Travou batalhas inesquecíveis, colocando sempre em primeiro plano seu amor e sua ferrenha defesa aos princípios básicos da ética política”
Marco Aurélio Garcia
Assessor especial da Presidência
“Em alguns momentos tivemos divergências sobre política externa, mas,mesmo que eu discordasse de alguns pontos de vista dele, obviamente que ele queria o melhor para o Brasil”
Gilmar Mendes
Presidente do STF
“Era um homem extremamente correto, probo e dedicado às causas e interesses do País”

Aécio Neves (PSDB)
Governador de Minas Gerais
“Jefferson Péres entra para a história brasileira como um dos homens que honraram a atuação como parlamentar levando às últimas conseqüências a honrosa tarefa de representar com altivez seus conterrâneos”
Geraldo Alckmin (PSDB)
Ex-governador de São Paulo
“Ao longo de sua vida, Jefferson Péres não apenas defendeu os legítimos interesses da população do Amazonas, mas exerceu a política com ética e honra, tornando-se, assim, uma referência para o Senado, o Congresso e o Brasil”
Paulo Pereira da Silva (SP)
Deputado e presidente nacional do PDT
“Ele dedicou sua vida em prol do bem público, era um homem íntegro e referência ética no Congresso”
Garibaldi Alves
Presidente do Senado
“Perdemos um grande senador, um grande homem público, um homem dedicado à defesa da democracia e que era um dos sustentáculos da coluna vertebral do Senado. Era um grande peregrino em defesa da ética”
Cristovam Buarque
Senador pelo PDT-DF
“Com o falecimento do senador Jefferson Péres morre também a moral da política brasileira”
Serys Slhessarenko
Senadora pelo PT-MT
“Foi-se um guerreiro de luta e coerência. Para nós, é uma perda muito grande, muito difícil”
Mozart Valadares Pires
Presidente da AMB
“Símbolo da independência política, o senador lutou pela democracia durante toda a sua carreira com uma postura ética irrepreensível”
O Estado de São Paulo

Violência se espalha e chega à Cidade do Cabo
Confrontos xenófobos na capital legislativa da África do Sul matam 1 estrangeiro e obrigam 420 a fugir
A violência contra imigrantes, que teve início há duas semanas na periferia de Johannesburgo e já deixou 43 mortos, espalhou-se ontem até a Cidade do Cabo - capital legislativa da África do Sul -, no litoral do país.
Um somali foi morto e mais de 15 agressores foram presos em confrontos durante a madrugada. A polícia retirou 420 imigrantes das favelas da cidade, para evitar novos conflitos. Dezenas de lojas e casas foram destruídas. “Conseguimos estabilizar a área por volta das 2 horas. Agora, há 200 policiais e membros da Guarda Nacional no local”, disse o chefe da polícia, Billy Jones, à CNN.
Os imigrantes foram retirados da periferia da Cidade do Cabo em ônibus da prefeitura e levados para centros comunitários e igrejas. Eles fugiram depois de terem sido ameaçados por multidões - que se formaram após um encontro no qual se buscava formas de aliviar a tensão.
Segundo Jones, o somali - cujo nome não foi divulgado - foi morto ao ser atropelado por um carro, quando tentava fugir de um grupo armado com facões. Outros 12 imigrantes ficaram feridos.
Os ataques contra estrangeiros - especialmente de países vizinhos como Zimbábue e Moçambique - já obrigaram 28 mil a abandonar suas casas. Muitos estão retornando para seus países.
ÊXODO
A leva de imigrantes de volta para casa fez com que o governo de Moçambique decretasse ontem estado de emergência e liberasse verba extraordinária para lidar com a situação. O chanceler Oldemiro Baloi disse que a decisão foi tomada após 10 mil moçambicanos terem voltado da África do Sul.
Só na quinta-feira, 620 moçambicanos chegaram a Maputo, vindos de Johannesburgo. Para Baloi, “o êxodo vai piorar” quando milhares de pessoas em fuga conseguirem encontrar um meio de transporte para retornar ao país.
Muitos sul-africanos pobres acusam os estrangeiros de roubar seus empregos, provocar a falta de moradia e fomentar a violência nas grandes cidades. Há cerca de 5 milhões de imigrantes na África do Sul - 3 milhões são zimbabuanos.
Organizações humanitárias informam agora a preocupação com um novo risco para os imigrantes: doenças contagiosas estão se espalhando pelos acampamentos onde eles estão abrigados.
Bianca Tolboom, da ONG francesa Médicos Sem Fronteiras, disse que os campos estão superlotados e há problemas no acesso à água potável. “Algumas pessoas ficam ao ar livre, sem agasalhos. Uma das principais preocupações são epidemias de doenças respiratórias, infecções e diarréia”, disse.

Thursday, May 22, 2008

Temporão recorre ao Exército


Ministro anuncia que pedirá ajuda às Forças Armadas para levar médicos a 200 municípios na fronteira do país. Ao todo, mil cidades brasileiras não têm nenhum profissional da área à disposição

Da Redação

Os habitantes dos rincões do Brasil que contam apenas com benzedeiras e ervas medicinais para curar seus males podem ter, finalmente, o direito constitucional de saúde garantido. O Ministério da Saúde quer levar médicos para cerca de 200 municípios na fronteira do Brasil onde não existem profissionais da área. Para suprir a falta do principal responsável pela promoção da saúde da população, o ministro José Gomes Temporão quer recorrer ao Exército e à Marinha. Mas o Conselho Federal de Medicina (CFM) lembra que o déficit de médicos não é por falta de pessoal, mas pela falta de uma política de promoção do segmento.

“No total, temos mil municípios sem médicos”, observou ontem Temporão, que promete para junho a finalização de uma proposta em discussão no governo para resolver a deficiência na área. Temporão disse que a Saúde está negociando com o Ministério da Defesa para que as Forças Armadas fiquem encarregadas de dar assistência médica a 20% das cidades que não dispõem de médicos. “Principalmente as que ficam nas fronteiras, mediante um repasse de recursos. Temos de chegar a essas pessoas de alguma forma”, ressalta.

O Ministério da Defesa já atua no atendimento a comunidades distantes. Em regiões da Amazônia onde só se chega de barco ou avião, por exemplo, a Força Nacional Terrestre monta hospitais de campanha e realiza atendimentos médicos. Já a Marinha atua por meio de embarcações de assistência hospitalar. Na semana passada, o navio Oswaldo Cruz concluiu atendimento a 20 comunidades ribeirinhas do Vale do Javari. Segundo informações do Comando do 9º Distrito Naval da Marinha, em Manaus, foram realizados 4,7 mil procedimentos de saúde como atendimentos médicos, odontológicos, de enfermagem e vacinação.

Déficit
A declaração do ministro foi feita no dia em que a Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou um estudo constatando que a falta de médicos chega a 4,3 milhões no mundo. Segundo o levantamento, um dos principais problemas seria a falta de investimentos dos países em desenvolvimento. Segundo o ministro Temporão, está em estudo a criação de uma nova carreira no sistema público para atrair médicos para essas regiões mais remotas.

“É só fazer concurso público com perspectivas profissionais que vai ter médico nos rincões do país”, dispara o integrante do Conselho Federal de Medicina (CFM) Geraldo Guedes, coordenador da Comissão Nacional Pró-SUS do conselho. “Carreira de estado como juiz e promotor vai para essas regiões porque tem perspectiva de ir para locais melhores depois de cumprir um tempo de serviço. As Forças Armadas vão cobrir um espaço onde o Estado se omitiu. Falta políticas de incentivo e o governo sabe disso”, diz.

Segundo Guedes, o CFM entregou ao Ministério da Saúde no ano passado uma análise da situação do atendimento médico no país. “Constatamos uma situação de falência da área. Além da fronteira, falta profissional de saúde na periferia das grandes cidades. Em março deste ano mandamos carta para o presidente Lula. De que adianta médico sem estrutura para trabalhar com dignidade”, ressalta. Dados do conselho mostram que o Brasil conta com 319 mil médicos. “Temos uma boa relação de médicos por número de habitantes no país. O problema está na distribuição geográfica da categoria porque o mercado é o único instrumento de distribuição de profissionais hoje”, explica Guedes. Estima-se que 75% dos 186 milhões de habitantes do país recorrem ao Sistema Único de Saúde (SUS). “São 140 milhões de pessoas que dependem de atendimento médico da prevenção à alta complexidade, já que apenas 40 milhões de brasileiros têm plano de saúde”, destaca o médico.

Folha de São Paulo TURISMO
Velha prisão foi transformada em três museus

Além de instalações da Marinha, a Argentina reforçou o povoado de Ushuaia com a construção de uma prisão -os prisioneiros foram encarregados das obras civis- que funcionou entre 1902 e 1947.
Ela era reservada a prisioneiros perigosos. Mas há versões de que o cantor Carlos Gardel (1890-1935), antes de iniciar a carreira artística, tenha sido um pensionista forçado das instalações.
A prisão virou hoje três museus, ao lado de um pequeno e interessante Museu da Marinha.
O primeiro é sobre a vida na colônia penal. E os dois outros, espaços para exposições de artes plásticas. (JBN)

Folha de São Paulo BRASIL
Minc diz que devastação cresceu e põe culpa em MT

O mais recente estudo do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) sobre desmatamento na Amazônia responsabilizará o Estado de Mato Grosso por mais de 60% das ocorrências, disse Carlos Minc, ministro do Meio Ambiente.

Os detalhes do estudo serão conhecidos na semana que vem, afirmou Minc, que esteve reunido no Rio com a cúpula do Inpe. Mesmo sem se aprofundar no assunto, o novo ministro usou as conclusões do instituto para criticar o governador de Mato Grosso, Blairo Maggi (PR), que o atacara na véspera.
"Segunda-feira agora, o Inpe vai divulgar uma nova estatística de desmatamento de terra. (...) Vai ser um dado ruim, vai ser um dado de aumento. E, para variar, mais de 60% em qual Estado? Quem sabe? Mato Grosso", disse Minc, na entrevista concedida na Secretaria do Ambiente do Estado do Rio.

O ministro sugeriu a Blairo que passe a atacar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
"O governador Blairo Maggi é um homem público. Como todo homem público, tem que assumir responsabilidades. (...) Não quero impor nada a ninguém. Pelo contrário, estou chegando agora. (...) O presidente Lula disse OK [à proposta da guarda ambiental]. A partir de agora o Blairo não deve brigar comigo, deve brigar com o presidente", disse Minc, que toma posse na terça.

O novo ministro voltou a defender mais rapidez nos licenciamentos, em resposta ao futuro presidente do Ibama, Roberto Messias Franco, que disse à Folha não ver motivos para agilizar a emissão das licenças. Segundo Minc, Messias Franco aceitou o cargo "nesses termos". O ideal, segundo ele, é que 10% do tempo dos funcionários do Ibama encarregados de licenciamento seja dedicado à análise da "burocracia", para "focar 90% no que interessa".

Para o ministro, "há dois caminhos para resolver bem a questão do agronegócio". Um é o que chama de zoneamento econômico-ecológico, que interessa "ao pessoal mais avançado do agronegócio" porque "dá uma regra clara: aqui pode, aqui não". O outro é "um setor que é atrasadíssimo, que está convertendo a Amazônia em pasto". Reiterou ser contra energia nuclear e a construção de Angra 3, mas como o governo já decidiu por ela, acatará a decisão sem questionamentos.

O Globo O PAÍS
Brasil quer criar Conselho de Defesa
Proposta será debatida em reunião de países sul-americanos amanhã

BRASÍLIA. Com o argumento de que é sempre mais fácil resolver os problemas conversando de forma pacífica, com base no diálogo construtivo, o governo brasileiro trabalha para que, na reunião de presidentes da América do Sul, que acontecerá amanhã, em Brasília, seja criado o Conselho de Defesa Sul-Americano. A proposta foi levada pelo ministro da Defesa, Nelson Jobim, aos países da região e, segundo o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, a expectativa é que a idéia receba a adesão das nações sul-americanas:

- Estamos confiantes. Isso só será benéfico para todos. Permitirá a discussão de temas e o esclarecimento de situações equívocas - disse Amorim, após participar de uma audiência pública no Senado. - Esperamos a adesão de todos.

Os chefes de Estado que estarão reunidos em Brasília vão assinar o tratado constitutivo da União das Nações Sul-Americanas (Unasul). O Conselho de Defesa, explicou o ministro das Relações Exteriores, deverá ser criado em um ato à parte.

Algumas questões deverão ser discutidas, como a crise desencadeada pela incursão de tropas colombianas no Equador - quando foram mortos dezenas de guerrilheiros, entre eles o segundo homem das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), Raúl Reyes - e a necessidade de cooperação entre os exércitos dos países amazônicos, para preservar a Floresta Amazônica e proteger os povos que nela vivem.

O objetivo é promover uma articulação de políticas regionais de defesa, a organização de exercícios conjuntos e a harmonização de forças de paz. Outra diretriz consiste em uma aproximação entre as indústrias, o que poderia resultar na produção e exportação conjunta de armamento, veículos e equipamentos em geral da indústria bélica. O assunto foi tratado ontem por Jobim e o presidente Lula.

Fontes do Ministério da Defesa disseram que há respaldo para a criação do conselho de todos os países sul-americanos, "uns mais entusiastas que outros", caso da Colômbia, que ainda está analisando o tema. Uma das alternativas para agradar os colombianos é escolher Bogotá como sede do conselho.

Brasil informou aos EUA sobre proposta do conselho
As explicações sobre o Conselho de Defesa foram dadas ao governo dos Estados Unidos. Fontes da área diplomática comentaram que a Casa Branca estaria convencida de que a investida brasileira tem como alvo a cooperação, a amizade, a resposta mais rápida aos desastres naturais, as missões de país e o combate ao narcotráfico.

O Globo O PAÍS
Pressão mantém reajustes de servidores
Governo manda projeto de lei ao Congresso, mas não retira MPs da pauta

BRASÍLIA. Pressionado de um lado pelo Congresso - que reclama do excesso de medidas provisórias - e de outro pela equipe econômica - que diz não ter folga de caixa para novas despesas -, o governo encontrou uma saída intermediária para manter o reajuste salarial dos servidores públicos, principalmente dos militares. O Planalto resolveu mandar ainda ontem um projeto de lei para o Congresso, com urgência urgentíssima, abrindo crédito extraordinário de R$7,6 bilhões, para custear o reajuste. No entanto, as medidas provisórias que tratam dos dois assuntos não serão retiradas, como sugeriam os líderes do governo na noite de terça-feira. Só depois que o Congresso aprovar o projeto, será revogada a medida provisória do crédito extraordinário.

A retirada da medida provisória do crédito extraordinário, negociada pelo líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), com os líderes partidários, foi rechaçada pelos ministros Paulo Bernardo (Planejamento) e Nelson Jobim (Defesa). Anteontem à noite, Jobim teve um diálogo ríspido com o ministro das Relações Institucionais, José Múcio Monteiro, que apoiou a iniciativa de Jucá. Jobim não quer contratempos que inviabilizem o aumento dos militares.

- Durante a noite, recebi um telefonema do ministro Nelson Jobim dizendo que a medida provisória e seus efeitos já estavam em vigor. Portanto, ela continua vigendo. Com o envio do projeto de lei, o que está acontecendo não sofrerá solução de continuidade, porque tem a proteção da MP - afirmou Múcio.

Num primeiro momento, Jucá sugeriu a substituição das duas MPs por projeto de lei. Depois, propôs que somente a medida provisória do crédito extraordinário fosse retirada, mas Paulo Bernardo argumentou que, se isso fosse feito, não haveria dinheiro para bancar os reajustes. O projeto de lei vai tramitar em regime de urgência constitucional - terá 45 dias para ser votado na Câmara e no Senado.

- Nós mandamos o crédito porque o volume de receita que está no Orçamento não é suficiente (para custear o aumento salarial). Se eu retirar o crédito, não tem dinheiro no Orçamento para dar o reajuste - afirmou Paulo Bernardo, fazendo prevalecer a proposta de manter as duas MPs tramitando até a votação do projeto de lei.

O reajuste beneficiará 17 categorias de servidores federais - 800 mil pessoas - e os militares das Forças Armadas. O aumento dos servidores civis vai custar R$3,4 bilhões. Os percentuais de aumento dos civis são variados: na Polícia Federal, por exemplo, o menor é de 11,05% e o maior, 101,97%. Nas carreiras da Previdência, Saúde e Trabalho chega a 137%. O impacto do aumento dos militares, entre 35,31% e 137,83%, é de R$4,2 bilhões. Os reajustes serão parcelados em três anos.

O Globo O PAÍS
A 'casca de banana atômica'

O licenciamento ambiental da usina de Angra 3 virou, nas palavras de Carlos Minc, "uma casca de banana atômica". Ontem, ele foi obrigado a deixar o histórico de opositor à energia nuclear e adotou um discurso político, de quem discorda mas precisa aceitar as condições impostas pelo governo. Minc disse acreditar que "o Brasil é a terra do sol, dos ventos e da biomassa". Mas deixou claro que não pretende se desgastar com o governo federal por isso.

- Sou conhecido por ser adversário do uso da energia nuclear, como o Fernando Gabeira, a Marina Silva e vários outros. Só que sou do governo. Quando o assunto foi votado no Conselho Nacional de Energia, a ex-ministra votou contra e foi voto vencido. Se estivesse lá, votaria como ela - disse Minc. - Até espero que a maior parte das nossas bandeiras sejam aprovadas pelo governo. Mas não tenho a pretensão de ser um cara mimado, que quer impor sua posição em todos os casos. O licenciamento será tratado com o rigor da lei e das compensações ambientais. (T.B.)

O Globo O PAÍS
Mais indústrias na floresta
Mangabeira expõe planos para Amazônia e é aclamado por ruralistas
Evandro Éboli

BRASÍLIA. O ministro de Assuntos Estratégicos, Mangabeira Unger, saiu da Câmara ontem elogiado por representantes da bancada ruralista depois de expor seus planos para a Amazônia. No mesmo dia em que o novo ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, admitiu que o desmatamento voltou a crescer, Mangabeira disse ser preciso vincular a floresta à indústria, instalando na Amazônia empresas que transformem os produtos florestais. Para alegria de parlamentares ligados ao agronegócio e a madeireiros, ele defendeu a instalação de indústrias na região e a flexibilização do direito de propriedade privada.

Mangabeira, coordenador do Plano Amazônia Sustentável (PAS), ressaltou que não se pode ver a região como um santuário intocável sem o desenvolvimento de ações produtivas, e defendeu alternativas "ambientalmente seguras e economicamente viáveis":

- O que a população da Amazônia mais quer é oportunidade de emprego. É preciso criar meios práticos para efetivar essa aspiração.

"Faltaram visão econômica e segurança jurídica"

Também disse que, se a população da região, os pequenos produtores e os extrativistas não tiverem oportunidades e instrumentos econômicos, "serão levados mesmo a desmatar". O ministro afirmou, em audiência na Comissão da Amazônia, que as duas principais atividades econômicas na região são a produção da Zona Franca de Manaus e a mineração no Pará.

- São atividades econômicas que têm pouco a ver com a floresta.

O ministro citou várias vezes a necessidade de se fazer o zoneamento econômico e ecológico da Amazônia, um levantamento cartográfico que irá não apenas identificar os diversos biomas da Amazônia, mas apontar a exploração econômica mais adequada para cada região.

- Há muito tempo se fala nesse zoneamento. Fala-se muito e faz-se muito menos. Faltaram visão econômica e segurança jurídica.

Mangabeira disse que é preciso resolver o problema fundiário da Amazônia, onde proprietários de terra não têm a titulação da área. Ele disse que esse fator gera insegurança jurídica:

- É preciso uma revisão do arcabouço jurídico. Nenhum país continental resolveu isso sem simplificar o direito de propriedade. É necessário sair da situação de posse insegura para a posse segura da terra.

O ministro elogiou recente decisão do governo de dispensar licitação para transferência de terras para particulares, mas considerou esta medida ainda insuficiente.

- É preciso mais. Tem que se permitir a quem goza da posse da terra que goze também das prerrogativas da propriedade.

Mangabeira defendeu o pagamento de uma remuneração específica para pequenos produtores e extrativistas, segundo ele uma espécie de compensação mensal pela vigilância da terra.

A audiência não chegou ao fim. O ministro tinha um compromisso e teve que se retirar, o que irritou alguns parlamentares.

- É uma deselegância isso. Nós também temos compromissos e os deixamos de lado para comparecer aqui e não só para ouvir, mas também para falar - protestou Márcio Junqueira (DEM-RR), ligado ao líder arrozeiro Paulo César Quartiero.

"É bom saber que o senhor tem outra visão", comemora ruralista
O ministro pediu desculpas e comprometeu-se a retornar.
Deputados ligados a fazendeiros e madeireiros, como Giovanni Queiroz (PDT-PA), parabenizaram o ministro:

- O Ministério do Meio Ambiente tem sido omisso e acomodado. Que bom saber que o senhor tem outra visão e pretende tirar a Amazônia do estrangulamento econômico que vive.

- O fundamentalismo está sendo substituído pela inteligência - disse Nilson Pinto (PSDB-PA).

O Globo O PAÍS
POLÍTICA AMBIENTAL
Minc: desmatamento aumentou
Tulio Brandão e Anselmo Carvalho Pinto

Em resposta a Maggi, ministro diz que Mato Grosso é maior responsável por avanço da devastação
- Na próxima segunda, o Inpe vai divulgar dados estatísticos de desmatamento em tempo real. Vai ser um dado ruim, de aumento. E, para variar, mais de 60% em que estado? Em Mato Grosso - disse o ministro.

De acordo com a assessoria do Inpe, o sistema Deter, divulgado mensalmente, é sujeito a imprecisões por não ter resolução suficiente para identificar desmatamentos menores que 25 hectares e sofrer com a influência das nuvens. Nem toda área de corte de árvores é identificada. Segundo o instituto, a possibilidade de observação em Mato Grosso aumentou muito de março para abril, já que apenas 14% da área daquele estado esteve sob nuvens no mês anterior.

O levantamento de desmatamento mensal é feito pelo Inpe desde maio de 2004, com dados do sensor Modis, do satélite Terra/Aqua, e do Sensor WFI do satélite CBERS, de resolução de 250 metros. Segundo o instituto, há uma possibilidade remota de os dados completos do mês de abril serem divulgados amanhã.

Governo de MT estranha dados
No último levantamento do Deter divulgado pelo Inpe, relativo a março, mais da metade dos pontos de desmatamento identificados na Amazônia já estavam em Mato Grosso - 27 de 52. Minc disse ontem, durante entrevista de apresentação da nova secretária do Ambiente do Rio, Marilene Ramos, que Maggi terá que assumir responsabilidades com o presidente Lula. O presidente já teria autorizado Minc a solicitar aos governadores o uso da PM no combate a crimes ambientais.

- Estou chegando agora, não quero criar polêmica. Eu conversei inicialmente sobre o Exército. O ministro Tarso Genro (Justiça) sugeriu o outro caminho (da PM), explicou que era mais simples. Levamos a questão ao Lula, que deu o OK. A partir de agora, o Blairo não deve brigar comigo, e sim com o presidente Lula, que já bateu o martelo - afirmou o novo ministro.

O governo de Mato Grosso reagiu à declaração de Minc sobre o aumento do desmatamento. O secretário-adjunto de Qualidade Ambiental, Salatiel Alves de Araújo, estranhou a divulgação dos dados pelo novo ministro:

- Essas informações são estranhas. Estão totalmente desconexas com a metodologia utilizada pelo Inpe. Estamos averiguando para saber que números novos são esses.

Segundo Araújo, o Inpe não tabulou o desmate dos primeiros meses de 2007, o que impediria comparação com o mesmo período em 2008:

- Ele (Minc) fala em aumento nos primeiros cinco meses do ano, mas maio nem terminou. É estranho.

O governo de Mato Grosso insiste que, ao contrário do que tem sido informado, o desmatamento no estado diminuiu nos últimos cinco anos. Em seu favor, usa os números do Inpe consolidados pelo Prodes, de monitoramento da Amazônia por satélite. Segundo o Prodes, a área devastada no estado caiu de 11.814 km² entre 2003 e 2004 para 2.476 km² entre 2006 e 2007. Os dados são de agosto a agosto.

O secretário também contesta a divulgação pelo ministério de dados do Deter, como dados consolidados:

- O Deter serve para mostrar indícios de desmatamento. O Prodes é o número final, com o qual dá para fazer comparações entre um ano e outro.

O Globo ECONOMIA
YES, NÓS TEMOS ENERGIA
Descobertas a toque de caixa
Ramona Ordoñez e Juliana Rangel

Petrobras anuncia mais óleo no pré-sal em corrida contra o tempo para garantir blocos
APetrobras anunciou ontem mais uma descoberta em águas ultraprofundas na Bacia de Santos, abaixo da camada de sal, numa área batizada de Bem-te-vi. Foi o sexto anúncio desde o ano passado. Segundo uma fonte da estatal, a companhia corre contra o tempo: com só três sondas capazes de perfurar em grande profundidade, precisa confirmar a existência de petróleo ou gás nos sete blocos no pré-sal de Santos antes do vencimento dos contratos de concessão que tem com a Agência Nacional do Petróleo (ANP). A maioria vence até outubro. Os blocos têm de ser devolvidos à ANP, se não houver descobertas até lá.
Em consórcio no qual é operadora e sócia da Shell e da portuguesa Galp Energia, a Petrobras descobriu petróleo de boa qualidade, em um poço no bloco BMS-8, a 250 km da costa de São Paulo e a uma profundidade total de 6.773 metros. A estatal não divulgou estimativas de reservas.
Segundo a fonte, a Petrobras identifica indícios de petróleo e desloca a sonda para outro bloco, ganhando mais prazo para apresentar à ANP seu plano de avaliação. Um dos fatores importantes na descoberta de ontem é que o petróleo está a mais de 6 mil metros, contra os 5 mil de Tupi, Júpiter e Carioca - quanto a este, o presidente da ANP, Haroldo Lima, declarou mês passado que as reservas seriam de 33 bilhões de barris, o que foi desmentido pela Petrobras.
- Descemos a uma profundidade maior e a estrutura de petróleo continua, é bem extensa - disse a fonte.
Descobertas podem formar único campo
Já se descobriram indícios também no BMS-21 (Caramba) e no BMS-10 (Parati). Uma das sondas está indo para a área Yara, no BMS-11, onde fica Tupi. Outra está em Carioca, e a terceira vai para o BMS-24, onde fica Júpiter. No BMS-22, operado pela Exxon em consórcio com a Petrobras, ainda não foram feitas descobertas.
Cogita-se que todas as áreas do pré-sal de Santos formam um único campo, com até 50 bilhões de barris de óleo recuperável. Segundo o geólogo Giuseppe Bacoccoli, da Coppe/UFRJ, acreditava-se que o maior campo do mundo - Gawar, na Arábia Saudita - fossem vários campos em separado e, depois, constatou-se que era um só.
- Como se trata de uma área contígua a Tupi, qualquer coisa que seja descoberta no entorno vai deixar o mercado animado - diz o analista Felipe Cunha, da Brascan.
As ações preferenciais da Petrobras (PN, sem direito a voto) fecharam a R$52,51, com alta de 1,64%. As ações ordinárias (ON) subiram 1,3%, para R$62,30. Em sete dias, as ações PN avançaram 13,41% e as ON, 12,53%.
A expectativa do anúncio da descoberta, feita após o fechamento do mercado no Brasil, impulsionou as ações de parceiras da Petrobras no exterior. Em Nova York, as ações da Shell avançaram 2,51%, enquanto as ADRs da Petrobras, 1,46%. Em Portugal, as ações da Galp Energia subiram 3,9%. Anteontem, o presidente-executivo da Galp, Manuel Ferreira de Oliveira, afirmara, ao anunciar lucros acima do esperado, que os desdobramentos das perfurações em Bem-te-vi seriam anunciados em breve.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva cobrou ontem que a Petrobras seja "o motor do desenvolvimento brasileiro", comprando máquinas e insumos do mercado nacional.
- A Petrobras vai crescer muito, e eu quero que os navios, as plataformas e as sondas sejam todos produzidos aqui, gerando mais empregos e mais renda - disse Lula, no Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), segundo participantes.
Durante o dia, a Petrobras chegou a superar a General Electric (GE) como quinta maior empresa do mundo, com valor de mercado de US$313,8 bilhões. A GE caiu 2,3% em Nova York, o que reduziu seu valor para US$308,9 bilhões. Mas no fechamento da Bovespa, a estatal voltou a US$307,8 bilhões.

O Globo ECONOMIA
BB negocia compra do banco paulista Nossa Caixa
Objetivo da instituição é liderar mercado em São Paulo, onde ocupa o 4º lugar. Analista estima operação em pelo menos R$9 bi
Aguinaldo Novo, Henrique Gomes Batista e Geralda D

BRASÍLIA e SÃO PAULO. Buscando desbancar a concorrência no mercado paulista - no qual, apesar de líder nacional, amarga a quarta posição -, o Banco do Brasil (BB) anunciou ontem à noite que iniciou negociações para a compra da Nossa Caixa. O banco, controlado pelo governo de São Paulo, tem ativos de R$47,431 bilhões - que renderam lucro líquido de R$114,9 milhões no primeiro trimestre deste ano, 31% a mais do que no mesmo período de 2007 - e 5,7 milhões de clientes. A operação depende de aval da Assembléia Legislativa de São Paulo.

A Nossa Caixa é vista no mercado como "a grande jóia" entre os bancos estaduais. Seu principal trunfo são as receitas provenientes da administração da folha de pagamento do governo paulista, cujo direito foi comprado em 2007 por R$2 bilhões.

O presidente da Austin Rating, Erivelto Rodrigues, estima que o BB teria de gastar na operação entre 3 e 3,5 vezes o patrimônio líquido da Nossa Caixa (R$2,9 bilhões), o que corresponderia a pelo menos R$9 bilhões.

A intenção do negócio, sem prazo para conclusão, foi informada em fato relevante enviado à Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) e à Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
- Essa postura faz parte de uma estratégia adotada desde o ano passado, com as negociações para a incorporação do Besc (banco estadual catarinense) e do BRB (do governo do Distrito Federal). Mas também tivemos outras ações, como abertura de uma diretoria de cartão de crédito, que nos possibilita oferecê-los aos não-clientes, criação do financiamento imobiliário e reforço em nossa presença no financiamento de veículos - afirmou Antonio Lima Neto, presidente do BB.

Segundo ele, a aquisição levaria o BB a disputar a liderança do mercado paulista:

- O estado é a arena bancária mais competitiva do país.

Na semana passada, o BB anunciou que absorverá o Banco Popular, subsidiária criada em 2003 para atender a baixa renda e que nunca obteve lucros.

Segundo Lima Neto, as tratativas iniciais foram técnicas e sem conversas diretas com o governador José Serra (PSDB).

O Globo O MUNDO
Líbano: acordo põe fim a crise
Hezbollah terá poder de veto em decisões do governo e lei eleitoral será modificada

TEL AVIV. Após seis dias de diálogo em Doha, no Qatar, representantes do governo libanês e da oposição, liderada pelo grupo xiita Hezbollah, chegaram a um acordo para pôr fim a 18 meses de crise que deixaram o Líbano à beira de uma guerra civil. Numa negociação mediada pela Liga Árabe, o documento final prevê reformas eleitorais e a nomeação de um novo presidentes, além de dar poder de veto à oposição. O acordo é considerado por analistas uma vitória do Hezbollah após uma violenta demonstração de força que paralisou o país há duas semanas.

O Parlamento libanês convocou uma sessão para domingo para nomear o comandante do Exército, o general Michel Suleiman, presidente, cargo vago há seis meses. A coalizão de maioria sunita que sustenta o premier, Fuad Siniora, formará um governo de união nacional.

Coalizão no poder terá 14 dos 30 ministros, oposição 11

O documento determina que a coalizão 14 de Março vai manter 14 das 30 pastas do Gabinete e o poder de escolher o premier. A oposição fica com 11 ministros, e outros três serão escolhidos pelo presidente. O acordo também prevê a discussão de novas leis eleitorais que garantam maior representatividade aos 18 grupos étnicos e religiosos do Líbano nas próximas eleições, ano que vem. Em troca, os opositores garantiram que não vão recorrer às armas em caso de novas divergências políticas.

Irã e Síria, que apóiam o Hezbollah, elogiaram o acordo. Mas analistas temem que as concessões feitas ao grupo podem afetar a credibilidade do 14 de Março, e ainda há ceticismo quanto à estabilidade do país. Há poucos dias, o líder do partido Mustaqbal, Saad Hariri, garantiu aos libaneses não estar disposto a revogar as medidas tomadas contra o grupo radical. Ontem, horas após a assinatura da resolução, Hariri comemorou, afirmando que o entendimento era uma vitória que colocaria o Líbano numa nova era.

O país está sem presidente desde novembro de 2007, quando Emile Lahoud, pró-Síria, deixou o cargo. A crise se agravou há duas semanas, quando o governo anunciou medidas para investigar o Hezbollah. O grupo respondeu com protestos que se transformaram em confrontos entre milícias governistas e oposicionistas em diversos pontos do Líbano. Pelo menos 65 pessoas morreram. (R.M.)

Thursday, May 08, 2008


Felipe Massa vence corrida e mantém domínio no GP da Turquia
Lewis Hamilton pressiona e ganha segundo lugar na excelente estratégia de três pit stops articulada pela McLaren
Felipe Massa fez uma ótima corrida e venceu o GP da Turquia, disputado neste domingo, em Istambul. Com isso, o brasileiro da Ferrari chegou à sua terceira vitória em quatro corridas neste circuito e assumiu a vice-liderança do Mundial de Pilotos, apenas sete pontos atrás de Kimi Raikkonen, terceiro colocado na prova.
Lewis Hamilton teve um desempenho excelente e andou no limite durante toda a corrida. O piloto da McLaren fez três paradas nos boxes, uma a mais do que os dois pilotos da Ferrari. Com isso, ele assgurou a segunda posição, mesmo com a forte pressão de Raikkonen nas voltas finais. Robert Kubica, da BMW Sauber, chegou na quarta posição, uma à frente de Nick Heidfeld, seu companheiro de equipe.
Fernando Alonso, da Renault, fez uma boa corrida após o abandono no GP da Espanha e chegou em sexto na Turquia. Mark Webber, da RBR, foi o sétimo e Nico Rosberg, da Williams, completou os pilotos que chegaram na zona de pontuação.
Big brother urbano
Mercado de câmeras de segurança cresce a uma taxa de 13% ao ano. Por mês, são vendidas e espalhadas pelo país cerca de 11,5 mil unidades. Conflito entre maior segurança e menor privacidade preocupa Co
Rio de Janeiro — 8 de abril. Imagens do circuito interno de um supermercado em Guarulhos, na Grande São Paulo, mostram Alexandre Nardoni, Anna Carolina Jabotá, os dois filhos do casal e a pequena Isabella saindo do local horas antes de a menina ser encontrada morta no jardim de casa, depois de ser jogada do 6º andar. A imagem foi usada no processo. Namorados que freqüentam o Parque Birigui, em Curitiba, tiveram que descobrir outro ponto para paquerar. Um sistema de monitoramento passou a vigiar a área com câmeras que fazem movimentos giratórios e captam imagens até à noite. 18 de abril, Belo Horizonte. Ladrão assalta uma lan house e leva os míseros R$ 10 do caixa. Tudo registrado pela câmera do circuito interno de TV.
16 de março. Pedágio na entrada de Arapongas, no oeste do Paraná. Um policial rodoviário se nega a pagar e fura a fila. A câmera flagra tudo e ele acaba punido. 14 de maio de 2007. Imagens da câmera de segurança do prédio onde morava mostram a jovem Isabela Tainara, 14 anos, saindo de casa apenas com os livros e cadernos que usaria na aula de inglês imadiatamente antes de ser seqüestrada e morta — as cenas serviriam para ajudar a polícia a descartar a possibilidade de que a menina tivesse simplesmente fugido de casa. 17 de julho de 2007. Câmeras de segurança do aeroporto de Congonhas, na Zona Sul de São Paulo, mostram o piloto de um avião da TAM — que transportava 186 pessoas — tentando arremeter antes de bater contra o galpão da TAM Express e se incendiar na pista principal do terminal. Um flagrante terrível do maior acidente da aviação brasileira.
O medo da violência e as facilidades tecnológicas provocaram um boom na chamada vigilância eletrônica, que serve para proteger comerciantes, vigiar as ruas e até ajudar na solução de crimes. A sensação que se tem é a de que, qualquer que seja o lugar, estamos sendo observados. Não é à toa. A cada mês são vendidas cerca de 11,5 mil câmeras de monitoramento no país, segundo cálculos das empresas de segurança eletrônica. Estima-se que, hoje, 750 mil olhos eletrônicos vigiem os brasileiros, com lentes zoom que ampliam uma imagem até 400 vezes.
O problema é que falta regulamentação ao setor, deixando o big brother urbano nacional ao gosto do freguês. Na época do “Sorria, você está sendo filmado”, esteja você no trabalho, num shopping ou parado na esquina, qualquer gesto, uma intimidade com o parceiro ou uma brincadeira com o filho podem estar sendo vigiados — e gravados em tempo real — por olhares não autorizados. De olho nesse vácuo, o Congresso começou a discutir até onde o direito à proteção da propriedade esbarra no principio da privacidade.
Crescimento veloz
Pública ou privada, a segurança eletrônica funciona sem regras, de acordo com os limites definidos pelos donos dos equipamentos e por sua finalidade. Existem atualmente 450 mil imóveis monitorados por sistemas eletrônicos de alarmes no país. E o número não pára de crescer. Nos últimos nove anos, esse mercado vem crescendo com taxas médias de 13% ao ano —15%, no ano passado. Governos também apostam nos espiões urbanos para diminuir a criminalidade. Em São Paulo, o poder público aposta no flagrante do olhar eletrônico para combater a criminalidade. Só no ano passado, as ocorrências diminuíram 17% no Centro.
Em Belo Horizonte, o Projeto Olho Vivo, parceria da Câmara de Dirigentes Lojistas com o governo do estado e a prefeitura, espalhou câmeras pela cidade, experiência que já está sendo copiada por municípios do interior. Nos três primeiros anos de existência, o Olho Vivo foi responsável pela redução de 40% da criminalidade em BH. No Rio, um projeto de monitoramento por câmeras foi iniciado em Copacabana, em 2003, com aparelhos espalhados pelo bairro e algumas unidades móveis que ficam na área da orla. O sistema está ligado a um moderno programa de identificação de placas de carros e futuramente poderá dar todos os dados de uma pessoa quando esta estiver sendo filmada. Já são 220 câmeras em toda a cidade.
Para suprir a falta de policiais, Maceió quer instalar câmeras ao longo da orla, o que já gera protestos de quem gosta de passear sozinho pelo calçadão. Em Salvador, os 110 equipamentos utilizados no carnaval permanecerão em alguns trechos dos percursos e o restante será removido para os bairros com maior incidência da violência. Curitiba decidiu combater com 20 câmeras o tráfico de drogas na região batizada de “Cracolândia”, no Centro, onde é freqüente a venda e consumo de crack.
Embora os projetos ainda estejam sendo discutidos, ninguém tem mais dúvidas de que é preciso organizar a bisbilhotice, inclusive a oficial, para que não terminemos como no livro 1984, do escritor inglês George Orwell (1903-1950), criador do mito do Big Brother. O livro, de 1949, sugere que a privacidade e a dignidade humana possam ser completamente destruídas pela vigilância eletrônica permanente. Quem viver, verá.
Em expansão
O mercado brasileiro de segurança eletrônica em números:
8 mil empresas de sistemas eletrônicos de segurança
450 mil imóveis monitorados por sistemas eletrônicos de alarmes no país
400% percentual de crescimento do número de câmeras instaladas no país de 2000 para cá . Us$ 1,2 bilhão faturamento do setor em 2007 — crescimento de 15% em comparação ao ano anterior
Um setor sem regras
“A questão central é: o coletivo deve prevalecer sobre o individual? Hoje não existem regras que impeçam que câmeras de vigilância sejam usadas indevidamente e suas imagens cedidas ou até comercializadas”, aponta uma mulher que entende de circuitos fechados de TV e sistemas de controle de acesso, Selma Migliori, presidente da Associação Brasileira das Empresas de Segurança Eletrônica (Abese), entidade representativa de um setor que movimentou no ano passado US$ 1,2 bilhão (pouco menos de R$ 2 bilhões).
Diversos projetos estabelecem pela primeira vez regras para empresas prestadoras e contratantes dos serviços de segurança privada e regulamentam o setor de vigilância eletrônica. O mais avançado é o projeto de lei do deputado Michel Temer (PMDB-SP), que tramita em caráter conclusivo na Câmara, atualmente na Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado. O projeto diferencia, de um lado, as tradicionais empresas de vigilância de bancos e transporte de valores e, de outro, as empresas de monitoramento eletrônico. Elas seriam autorizadas e fiscalizadas pelo Ministério da Justiça ou pelas secretarias estaduais de Segurança Pública. Depois que for aprovado, o projeto ainda terá que ser regulamentado.
“Mundo seguro é um mundo com menos privacidade. É um paradoxo do próprio direito. Quanto mais você protege a coletividade, menores as liberdades individuais”, admite a advogada Patrícia Peck Pinheiro, especialista em direito eletrônico. Sem regras, existem câmeras para todos os gostos, de sistemas de controle de tráfego em vias públicas e rodovias até o monitoramento em locais de elevada concentração de público. E nada disso existia quando a Lei 7.102, de 1983, que regulamenta o setor, foi feita. Na época, segurança privada se resumia ao trabalho das empresas de transporte de valores e outros serviços de segurança armada. Talvez seja preciso regulamentar também, acreditam empresários do setor, o uso indiscriminado de câmeras camufladas — as microcâmeras e câmeras ocultas usadas até em matérias jornalísticas. Nada disso hoje tem amparo legal.
Correio Braziliense INFRA-ESTRUTURA
Energia extra vai para o Uruguai
Os 300 megawatts/médios (MW/médios) de energia que o Brasil começa a exportar hoje para a Argentina serão repassados ao Uruguai, que está em situação mais crítica. O pedido foi feito pelos argentinos e recebeu sinal verde do governo brasileiro. Atualmente, o Brasil vende somente 72 MW/médios de energia para o Uruguai, que é a capacidade máxima da linha de transmissão que interliga os dois países.
A quantidade de energia que será exportada para a Argentina — produzida por usinas termelétricas movidas a óleo diesel e combustível — poderá chegar a 800 MW/médios já no fim da próxima semana, conforme anunciou o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão.
O Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) deverá se reunir nos próximos dias para fazer uma nova avaliação da situação de abastecimento brasileira e poderá aumentar o teto para o máximo possível de 1.500 MW/médios.
A exportação de energia será possível porque na última segunda-feira foram desligadas definitivamente as termelétricas movidas a óleo combustível e a óleo diesel, que estavam em funcionamento no Brasil desde dezembro do ano passado, e geravam entre 2.200 e 2.500 megawatts médios (MW/médios). Ainda estão em funcionamento as térmicas movidas a carvão e a gás natural, com capacidade de 3.600 MW/médios. Todas foram acionadas no início do ano, quando os reservatórios das hidrelétricas chegaram a nível crítico.
Correio Braziliense AUDITORES
Mais 20 dias para liberar cargas retidas
Luciano Pires
Com a suspensão da greve dos auditores-fiscais da Receita Federal a situação em alguns portos brasileiros começou a se normalizar ontem. Apesar do sindicato da categoria ter acertado o retorno oficial só a partir de segunda-feira, uma parte dos servidores retomou suas atividades de imediato. A previsão é que em duas semanas os gargalos criados pela paralisação de mais de 50 dias desapareçam.
No Porto de Santos, o maior do país, mercadorias que estavam acumuladas desde março entraram em ritmo mais acelerado de liberação. Ronaldo Forte, diretor do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) em Santos, disse que em 20 dias tudo estará resolvido. “A paralisação já estava perdendo forças nas últimas semanas”, afirma. O desafio agora, completou, é eleger prioridades. “Todo mundo tem carga para liberar, tem de ser para ontem, é urgente. Aqui em Santos estamos como em uma fazenda: a porteira fechou e agora a boiada quer sair toda de uma vez”, brinca.
Em Itajaí (SC) também houve estrangulamento no fluxo de entrada e saída de produtos. Superlotado, o porto bateu recorde de ocupação média diária nos terminais. Portos-secos, localizados na fronteira do Brasil com vizinhos da América do Sul, devem aliviar as filas de caminhoneiros em 10 dias. Transportadoras rodoviárias, atacadistas e o varejo reclamam de prejuízos.
Os auditores que atuam em Foz do Iguaçu (PR) voltaram à rotina depois de aderirem em massa à paralisação. O sindicato local informou que acompanhará de perto as negociações entre o governo federal e o comando de greve até 1º de junho. Caso não haja acordo nos pontos que restam da pauta de reivindicações, os trabalhadores prometem voltar a cruzar os braços. Ontem, 750 caminhões estavam estacionados na Estação Aduaneira do Interior (Eadi), em Foz. Quase 600 aguardavam para entrar no terminal.
Pela proposta do Ministério do Planejamento, os auditores terão, até 2010, reajuste de 40% nos salários inicial e final. O governo concordou ainda em retirar do acordo os itens que modificavam o sistema de avaliação de desempenho para promoção e progressão na carreira. Os auditores tentam agora convencer a Secretaria de Recursos Humanos (SRH) a não descontar os dias parados. O ministro Paulo Bernardo disse, no entanto, que a punição está mantida.
Correio Braziliense PAINEL
Black-tie beneficente
No Rio de Janeiro para a cerimônia de comemoração da vitória na Segunda Guerra Mundial com a presença do vice-presidente, José Alencar, do governador, Sérgio Cabral, e do ministro da Defesa, Nelson Jobim (foto), Mariza Campos Gomes da Silva aproveitou para convidar o governador e a mulher, Adriana Ancelmo Cabral, para participar da festa black-tie no Palácio Itamaraty no dia 30, pelos 200 anos da chegada da família real ao Brasil. A coordenadora-geral da festa, Maria Inês Nogueira, recebeu ligação de Mariza, ainda no Monumento aos Pracinhas, depois da cerimônia. Ouviu a voz do governador confirmando a presença na festa, cuja renda será revertida para a construção do Hospital do Câncer Infantil e de Especialidades Pediátricas, que tem na mulher do vice-presidente a grande madrinha e lutadora pela concretização do projeto que há 30 anos faz parte do sonho de médicos e da população de Brasília e do Brasil Central.
Folha de São Paulo Polícia investiga venda de CDs com fotos de vítimas de naufrágio no AM
RENATA BAPTISTA
A Polícia Civil de Manacapuru (84 km a oeste de Manaus) apreendeu cerca de 200 CDs com fotos dos corpos das vítimas do naufrágio do barco Comandante Sales, ocorrido no último domingo.
Além dos CDs, a polícia também apreendeu gravadores, filmadoras e computadores, que estão sendo submetidos a perícia. Ninguém foi detido.
De acordo com o delegado Antônio Rodrigues, se a denúncia for confirmada, o responsável poderá ser preso por vilipêndio a cadáver (tratar cadáver de forma desrespeitosa). A pena prevista no Código Penal para o crime varia de um a três anos de detenção, e multa.
"As famílias das vítimas também podem processar civilmente quem fez e vendeu o CD", disse Rodrigues. De acordo com denúncias feitas à polícia, os CDs estavam sendo vendidos por valores entre R$ 20 e R$ 25.
Buscas
As buscas pelos corpos das vítimas do naufrágio, feitas nos rios Solimões e Amazonas, foram encerradas hoje, no final da tarde.
O comandante do Corpo de Bombeiros do Amazonas, Antônio Dias dos Santos, disse que está sendo feito um trabalho de orientação com a população ribeirinha e pescadores para que informem eventuais ocorrências a uma das três bases que ficarão de plantão nos rios.
Ao todo, 46 corpos de vítimas do naufrágio foram localizados até hoje. A estimativa é que ainda haja de 10 a 15 desaparecidos. "A cada hora que passa é mais remota a possibilidade de encontrarmos algum corpo, por isso vamos retirar as equipes da água", disse Santos.
A embarcação de madeira não era registrada na Capitania dos Portos e tinha capacidade para 50 pessoas. Sobreviventes disseram à polícia que havia até 150 passageiros no barco. O dono da embarcação morreu na tragédia.
Folha de São Paulo Países da América do Sul se reúnem para definir estratégia na Antártida
O Brasil e mais seis países sul-americanos que desenvolvem estudos no continente antártico vão se reunir na próxima semana para definir estratégias de pesquisas na Antártida.
No encontro, que acontece nos dias 12 e 13 de maio no Rio de Janeiro, representantes de Brasil, Argentina, Chile, Equador, Peru, Uruguai e Venezuela vão desenvolver uma oficina de trabalho a fim de estimular a interação entre os cientistas dos sete países.
Segundo o ministério da Ciência e Tecnologia, que organiza o encontro, o evento terá a participação de 50 pessoas ligadas às áreas científica, de logística e financiamento. Os grupos de cada área vão discutir a situação atual dos países. A intenção é elaborar um documento final, de onde poderá sair uma estratégia para otimizar a integração.
A base de pesquisas brasileira no continente antártico é a Estação Antártica Comandante Ferraz, administrada pela Marinha do Brasil.
Construída na década de 80, a estação realiza pesquisas de monitoramento ambiental e atmosférico, além de estudos sobre a repercussão das mudanças que vêm ocorrendo no continente.
Jornal de Brasília Ministra diz que não se pode governar Amazônia só com ações de comando e controle
A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, disse hoje (9) que as tensões e os conflitos ocorridos na Amazônia não podem ser resolvidos apenas por meio de ações das Polícias Federal, Militar e Ambiental e pelo controle do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
“O que está acontecendo na Amazônia é um processo de retirada da ilegalidade com a firme decisão de que não se vai retroceder em relação às medidas. Mas não temos como governar 23 milhões de seres humanos [que vivem na região] apenas com ações de comando e controle”, avaliou.
Em entrevista a emissoras de rádio no estúdio da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), em Brasília, a ministra afimrou que o “esforço” dos Ministérios do Meio Ambiente e da Justiça já levou à cadeia 665 pessoas acusadas de praticar atividades ilegais na Amazônia, além de desmontar 1,5 mil empresas e inibir 66 mil propriedades envolvidas com grilagem na região. “Isso gera um tensionamento muito forte”, acrescentou.
Marina Silva destacou também a importância de medidas como o Plano de Combate ao Desmatamento – uma das ações previstas no Plano Amazônia Sustentável (PAS), lançado ontem (8) pelo governo federal – ,que prevê o combate às políticas ilegais e o apoio às práticas produtivas sustentáveis.
Em relação ao papel atribuído à Amazônia diante das mudanças climáticas, a ministra lembrou que 50% da chuva na região é produzida pela própria floresta, “que presta um serviço ambiental de equilíbrio ao país e ao mundo”.
Ao avaliar a pecuária praticada na Amazônia, a ministra avaliou como "antiprodutiva" a criação de gado extensiva (por hectare), sobretudo se comparada ao sistema de sustentabilidade proposto pelo Plano Amazônia Sustentável. “As medidas estão sendo tomadas exatamente para que se tenha uma inversão da lógica anterior.”
Jornal do Brasil Esforço para salvar museu
Registros da Segunda Guerra podem ser perdidos
Felipe Sáles
As batalhas sem fim que ex-combatentes da Força Expedicionária Brasileira (FEB) travam por sua história ganhou ontem novo fôlego, mas os tambores da guerra ainda estão longe de cessarem. Depois de quase fecharem ontem portas do Museu da FEB, que guarda registros da participação do Brasil na Segunda Guerra Mundial, o Exército brasileiro recrutou oito militares para atuarem na administração do museu e, até o fim deste mês, decidirá se vai haver ou não ajuda financeira.
Foram mais de três horas de reunião entre a cúpula do Exército e o presidente da Associação Nacional dos Veteranos da FEB (Anvfeb), coronel Hélio Mendes, de 83 anos – o mais jovem veterano. Os ex-combatentes fechariam as portas hoje devido às dificuldades financeiras.
Mensalidade de apenas R$ 20
A Anvfeb, que já contou com 14 mil sócios, mantém o museu com o apoio de cerca de 700 sócios, viúvas e familiares de veteranos mortos. Apenas em torno de 500, porém, contribuem com a mensalidade de R$ 20 para manter o museu, o mausoléu e catacumbas nos cemitérios do Caju e São João Baptista, além da assistência jurídica aos veteranos e familiares.
– Não vamos aceitar desmembramentos da nossa casa – afirma Mendes. – Ou mantém tudo como está ou as portas serão fechadas.
O coronel estipula em R$ 25 mil mensais a verba necessária. Além do próprio Exército, Mendes conta que já pediu ajuda "a Deus e o mundo" para não ter de fechar as portas. Governo federal, estadual e municipal, além do próprio Exército, já prometeram ajudar os veteranos. Uma das últimas respostas veio da Firjan, que argumentou restrições orçamentárias.
Entre as relíquias históricas guardadas na sede estão uma bandeira e uniforme de um soldado nazista – com o detalhe de uma caveira no chapéu – e o uniforme do Marechal Mascarenhas de Moraes usado na Segunda Guerra. Apesar do marechal nunca ter levado um tiro, sua roupa já possui 63 furos, corroída por traças ao longo de anos de abandono da história.
Jornal do Brasil Colômbia e Equador buscam aproximação
Os vice-chanceleres do Equador e da Colômbia se encontram em Lima em busca de uma reaproximação diplomática. Iniciativa da OEA, o encontro visa a restabelecer as relações diplomáticas rompidas depois da ação militar da Colômbia contra um acampamento da guerrilha Farc em território equatoriano, qualificado pela comunidade internacional como um ato de violação da soberania do Equador. O dirigente rebelde Raúl Reyes foi morto na operação.
O Estado de São Paulo Medvedev alerta contra 'ambições irresponsáveis'
Novo líder russo faz crítica velada aos EUA durante desfile militar
Ap e The Washington Post
Numa clara demonstração de força, a Rússia fez ontem seu primeiro grande desfile militar desde 1990, com direito à participação de tanques e mísseis. Na primeira cerimônia como presidente russo, Dmitri Medvedev fez um alerta ontem sobre “ambições irresponsáveis” de alguns países, numa aparente crítica aos EUA. Desde o começo de 2007, quando Washington anunciou planos para instalar um escudo antimíssil na Europa, as relações entre os dois países se deterioraram.
No desfile de ontem, para celebrar a vitória dos aliados na 2ª Guerra, 8.000 soldados marcharam pela Praça Vermelha, ao lado de centenas de veículos militares.
Segundo Medvedev, as Forças Armadas russas estão reconquistando “sua força e poder”. Ao lado de seu antecessor e atual premiê, Vladimir Putin - que no desfile do ano passado comparou os EUA à Alemanha nazista -, Medvedev fez um duro discurso. “Não devemos permitir o desrespeito às leis internacionais”, afirmou o presidente russo, criticando ainda “intenções de ingerência e, especialmente, a de redesenhar fronteiras”. O apoio dos EUA em fevereiro à independência de Kosovo da Sérvia - aliada de Moscou - irritou a Rússia.
Medvedev alertou ainda sobre o perigo de um conflito armado. “A história nos mostra que os conflitos armados não começam sozinhos. Eles são criados por ambições irresponsáveis que atropelam os interesses dos países e continentes inteiros, os interesses de milhões de pessoas.”
A reconstrução do poderio do Exército russo, que entrou em colapso após o fim da União Soviética, em 1991, foi uma das prioridades do governo de Putin, que aumentou em oito vezes o orçamento anual das Forças Armadas (hoje cerca de US$ 40 bilhões). Nos últimos meses, a Rússia retomou as patrulhas aéreas na região, além de ameaçar apontar mísseis para a Ucrânia.
A demonstração de força, porém, parece não ter impressionado alguns países. “Se eles querem pegar aqueles equipamentos velhos e levá-los para dar uma volta, que fiquem à vontade”, disse na segunda-feira, o assessor de imprensa do Pentágono, Geoff Morrell.
O Estado de São Paulo Tenente da PM vai para força da ONU em Kosovo
Pela primeira vez, policial paulista reforçará comando internacional
Camilla Rigi
Há 15 anos, a tenente Denise Pereira Pinto, da Polícia Militar de São Paulo, acompanha pelo noticiário e admira o trabalho das missões da Organização das Nações Unidas (ONU) em países com conflitos internos. Hoje, aos 40 anos, ela prepara as malas para deixar a capital paulista e tomar parte em uma das missões de paz da ONU, em Kosovo. “É uma felicidade muito grande. E uma forma de ajudar outras pessoas”, afirma.
A tenente Denise é a primeira mulher da Polícia Militar de São Paulo a integrar uma força de paz. Amanhã, ela e outros 19 policias brasileiros embarcam para Kosovo. Ontem, o dia foi de homenagens no 34º Batalhão da PM, no centro de São Paulo, e despedidas dos colegas e da família. “Agora temos a internet e dá para manter o contato com todos e tranqüilizar a família.” Denise confessou que a sua mãe, Maria Neuza Castelli Pereira Pinto, de 66 anos, ficou um pouco preocupada quando soube da viagem, mas depois a apoiou. “O nosso dia-a-dia aqui também não é muito fácil”, considera.
A preparação para conseguir uma vaga no grupo seleto começou em 2001. “A primeira vez que tentei não passei, mas insisti”, conta. O teste de seleção foi realizado sob a coordenação e responsabilidade do Exército Brasileiro em julho de 2007, no Recife. Denise passou por provas de domínio do idioma inglês, uma avaliação psicológica, testes de habilidade para dirigir veículos 4x4 e uma prova de tiro. A boa notícia com a aprovação chegou em fevereiro deste ano.
Quando fez os testes, a tenente não sabia para onde poderia ir. Eram quatro destinos possíveis - Kosovo, Haiti, Sudão e Timor Leste. Desde que soube que seria designada para Kosovo, uma nova fase do processo começou: a busca por informações sobre os conflitos no território, costumes e clima. “Conversei muito com um policial do Rio que estava lá. Eu estava com medo do frio, mas, como vou chegar na primavera, acho que não terei muito problema.” Denise ficará um ano fora do País.
A tenente ingressou na Polícia Militar em 1987, como soldado feminino. Em 1993 entrou para a Academia de Polícia Militar do Barro Branco e dois anos depois saiu como Aspirante Oficial. “Quero colocar em prática lá tudo o que aprendi na polícia aqui”, diz.
Desde 1940, a ONU envia forças de paz para zonas de conflitos, mas somente na década de 1960 começaram a ser enviadas também forças policiais. Esses profissionais fazem serviços de preservação e manutenção da ordem pública. Além disso, os oficiais auxiliam no transporte de presos, na assistência às mulheres vítimas de violência, no recadastramento de famílias e refugiados e na escolta de autoridades.
O Globo Nobre liderança
As fontes renováveis já correspondem a 46,4% da matriz energética brasileira, enquanto no mundo essa média não passa de 12%. Considerando-se apenas os países ricos, a participação das fontes renováveis cai para 8% na matriz energética. Esse quadro se deve principalmente ao aproveitamento da energia das hidrelétricas e à cadeia produtiva do etanol, que, no ano passado, passou a representar 16% da matriz, ficando atrás apenas do petróleo e seus derivados (36,7%). Embora a lenha e o carvão vegetal também estejam entre as fontes renováveis, o Brasil vem dando uma contribuição expressiva no uso de energia limpa.
Com os ganhos de produtividade do setor e o aproveitamento da biomassa para geração de energia elétrica (estima-se que o potencial seja equivalente à capacidade de uma Itaipu), a contribuição do setor sucroalcooleiro crescerá ainda mais, de modo que, provavelmente no início da próxima década, as fontes renováveis podem vir a responder por mais de 50% da matriz energética brasileira. Isto significará mais empregos, renda, recolhimento de impostos no campo, e, principalmente, menos impacto ambiental.
Não deixa de ser uma lição para o mundo que o consumo de etanol no Brasil já supere o da gasolina, combustível derivado do petróleo. E, graças ao álcool, o consumidor brasileiro não sentiu no bolso todo o forte impacto da alta das cotações do petróleo no mercado internacional.
Não está longe o dia em que outros mercados consumidores vão se incorporar ao uso do etanol brasileiro, originário da cana-de-açúcar.
O Globo Chefe de Polícia critica ONGs de direitos humanos
Para delegado Gilberto Ribeiro, entidades são parciais e não investigam se houve realmente violência policial
Jorge Antonio Barros e Vera Araújo
O chefe de Polícia Civil, delegado Gilberto Ribeiro, fez duras críticas às entidades de defesa dos direitos humanos, acusando-as de serem parciais. Segundo ele, essas organizações não verificam se houve realmente violação dos direitos. Gilberto disse que nunca foi procurado por elas para discutir o assunto fora dos momentos de crise, quando há mortos em confrontos nas operações policiais. A ONG Justiça Global contradisse o delegado, alegando nunca ter sido recebida por ele.
- Elas não se colocam de forma isenta. Há apenas a necessidade de fazer um discursos dizendo que a polícia violou os direitos humanos. Não há um cuidado para saber se de fato houve violação. Fala-se muito em direitos humanos dos criminosos e se esquece dos direitos humanos da população e, especialmente, dos policiais, que são caçados e executados com muita freqüência. Não se vê uma única manifestação de apoio às famílias desses policiais que morrem em defesa da sociedade - criticou o delegado.
Ribeiro disse que a polícia está de portas abertas para discutir o tema. Em junho de 2007, quando confrontos no Complexo do Alemão terminaram com a morte de 19 pessoas apontadas por policiais como bandidos, um integrante da ONU procurou a Chefia de Polícia exigindo explicações. Segundo Ribeiro, o representante questionou a conduta da polícia.
Justiça Global diz que nunca foi chamada pela polícia
Ao ser perguntado sobre o aumento no número de autos de resistência, Ribeiro alegou que, ao longo dos anos, não houve uma política de enfrentamento como a atual:
- Se você realiza mais operações, é evidente que o número de confrontos cresce e aumentam os autos de resistência. Em nenhum lugar do mundo existe esta geografia daqui. O estado tem o dever de entrar em todas as áreas para dar segurança à população. Se os criminosos nos rechaçam, isso nos obriga a agir. Ao longo destes anos, percebemos que, quando não há enfrentamento, não há baixas.
A diretora executiva da ONG Justiça Global, que trabalha com proteção e promoção dos direitos humanos, Sandra Carvalho, afirmou que sua entidade nunca foi chamada pelo governo para discutir o assunto, embora sempre tenha procurado o diálogo:
- Estamos cansados de ouvir esse discurso por parte da polícia. O governador, enquanto candidato, disse que respeitaria os direitos humanos, que era contra os caveirões e que segurança não se fazia com matança. A Justiça Global nunca foi recebida por ele ou por representantes da segurança.
Para a diretora, o fato de a ONG denunciar as violações dos direitos humanos, principalmente nas comunidades pobres, tem incomodado as autoridades da área de segurança.
- Estão tentando tirar a nossa legitimidade. É fato: houve aumento no número de autos de resistência e diminuição das prisões e da apreensão de armas. É uma segurança pública baseada numa política de extermínio. A gente se preocupa com os policiais, sim. Por isso, estamos preocupados com o planejamento inteligente das operações, sem matança indiscriminada.
O Globo Nostalgia soviética em Moscou
Blindados e mísseis participam de desfile pela 1ª vez desde o fim da URSS
Vivian Oswald
MOSCOU. Pela primeira vez após o colapso da URSS em 1991, blindados e mísseis cruzaram a Praça Vermelha para comemorar a vitória sobre os nazistas na Segunda Guerra Mundial. Este ano, a tradicional parada militar do Dia da Vitória teve proporções nunca vistas na Rússia pós-soviética. A grandiosidade foi proporcional à imagem que o ex-presidente Vladimir Putin e seu sucessor, Dmitri Medvedev, querem passar do país para o resto do mundo.
No início da madrugada, 111 tanques de guerra e caminhões com armamento - como o novo míssil balístico intercontinental Topol-M - se posicionaram na principal avenida da cidade. Seguindo a tradição soviética, o desfile pôde ser assistido in loco apenas por convidados especiais e foi transmitido ao vivo pela TV. Mais de 30 aviões militares e helicópteros sobrevoaram a capital russa.
Este tipo de demonstração de força era comum no período da Guerra Fria, quando a intenção era desafiar o Ocidente e mostrar o poderio bélico da URSS. Para analistas, o desfile de ontem teve um significado a mais. Se, no seu discurso de posse Medvedev tentou dar um recado mais liberal, a parada militar seria a outra face da mesma moeda: a Rússia querendo se afirmar no novo contexto global.
Num tom nacionalista, Medvedev disse que é preciso fazer tudo para evitar que as tragédias do passado se repitam.
- É preciso um enfoque sério em relação a qualquer tentativa de semear disputas raciais ou religiosas, fomentar a ideologia do terrorismo e do extremismo, e interferir em questões de outros Estados, sem falar nas tentativas de revisar fronteiras - afirmou ele, ao lado de Putin.
TRAGÉDIA NO AMAZONAS
45 mortos e 26 desaparecidos

As buscas de ontem no Rio Solimões elevaram para 45 o número de mortos confirmados no naufrágio da embarcação Comandante Sales 2008, ocorrido no domingo na região de Manacapuru, distante cerca de 80km de Manaus (AM). De acordo com o Corpo de Bombeiros, os 11 corpos encontrados ontem estavam entre as cidades de Manacapuru, Iranduba e Manaus. As autoridades locais divulgaram que ainda restam 26 desaparecidos — cálculo feito a partir de depoimentos de sobreviventes e da procura de parentes por familiares.

No próprio domingo e na segunda-feira, as equipes localizaram 17 corpos. Outras 17 vítimas foram encontradas na terça. Até agora, 70 pessoas conseguiram ser resgatadas com vida. O Instituto de Medicina Legal (IML) de Manaus (AM) já identificou e liberou 34 corpos para os familiares das vítimas.

Sem documentação
O acidente ocorreu quando o barco saía da localidade de Lago Pesqueiro. Levava pessoas que participavam da chamada Festa do Divino. No momento do acidente, a embarcação estava se deslocando para Manacapuru. O barco não tinha lista de passageiros — devido a isso, não há certeza sobre o número de possíveis vítimas — nem documentação que permitisse o transporte de passageiros. Ele chegou a ser flagrado no início do ano, mas, sem ter como mantê-lo retido, a Capitania dos Portos liberou a saída da embarcação, com o compromisso de que o proprietário, Francisco Sales, o mantivesse parado enquanto a situação não fosse regularizada. Sales nada fez. E acabou morrendo no acidente de domingo.


Folha de São Paulo Irã é ameaça para América Latina, dizem EUA
Para diplomata, Teerã usa região para fustigar Washington; ministro colombiano ataca intenção "expansionista" de Chávez

O chefe da diplomacia americana para América Latina, Thomas Shannon, disse ontem que o Irã utiliza a região para romper o isolamento internacional e fustigar os EUA e que o país persa pode se tornar "um fator de violência" no continente.

Shannon, secretário-assistente de Estado para o Hemisfério Ocidental, afirmou que o Irã, a quem os EUA acusam de apoiar terroristas, "encontra na América Latina uma forma de mostrar que pode se expressar". "É uma forma de atuar contra nós", disse, na conferência anual organizada pelo Conselho das Américas, que reúne empresas e investidores americanos com interesses na região.

O presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, tem estreitado relações diplomáticas com a Venezuela de Hugo Chávez, principal voz antiamericana na região. Os dois países, em encontros com tom "antiimperialista", já assinaram cerca de 200 convênios num total de US$ 9 bilhões. No poder, Chávez já visitou seis vezes Teerã.

Ahmadinejad também tem se aproximado da Bolívia de Evo Morales, aliada de Caracas, país que visitou em 2007 para fechar acordos de cooperação.

Shannon afirmou que os serviços de inteligência dos EUA estão monitorando as conexões entre o partido e a milícia radical xiita Hizbollah, com base no Líbano, e grupos ilegais na região. Voltou a acusar o Irã de ter tido "um papel" no atentado terrorista em uma associação israelita que matou 85 pessoas em Buenos Aires, em 1994.

"Chamamos os serviços de inteligência e policiais [da região] a monitorar essas atividades, porque não queremos que o Irã se converta em fator de violência nas Américas", disse.

Bush e Colômbia
O presidente dos EUA, George W. Bush, também falou no encontro, nas instalações do Departamento de Estado americano, em Washington, e voltou a cobrar a aprovação do Tratado de Livre Comércio do país com a Colômbia, barrado pela maioria democrata no Congresso, e a criticar Chávez.

Defendeu o governo do aliado colombiano Álvaro Uribe, alegando que ele tem de lidar com a Venezuela, "um vizinho hostil e antiamericano", que "forjou uma aliança com Cuba e colabora com os terroristas das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia)". Disse que o país oferece um "santuário seguro" à guerrilha.

As críticas a Chávez e aliados foram reforçadas pela dura palestra do ministro da Defesa da Colômbia, Juan Manuel Santos, para quem os governos "bolivarianos" são "neopulistas e autocráticos", não respeitam a propriedade privada e nem os direitos democráticos.

"O espectro de que falo é essencialmente expansionista e não hesitará em violar o princípio da não-intervenção, e usar vastos recursos, incluindo narcodólares", continuou o ministro, acrescentando que se o movimento tiver êxito, a região "retrocederá" décadas.

As declarações de Santos foram os ataques mais duros desde a crise diplomática na região, detonadas pelo bombardeio de Bogotá a um acampamento das Farc em território equatoriano e março.


Jornal do Brasil Lista de mortos aumenta para 41
Bombeiros estimam que outros 25 passageiros estejam desaparecidos

Manaus
O Corpo de Bombeiros confirmou ontem que 41 corpos de vítimas do naufrágio ocorrido na madrugada de domingo foram resgatados das águas do rio Solimões, no Amazonas. Equipes mantêm as buscas a outras vítimas.

De acordo com o setor de Comunicação dos bombeiros, foram resgatados os corpos de 22 homens, 18 mulheres e uma criança. Ao menos 33 já foram identificados pelo Instituto Médico Legal (IML).

O acidente aconteceu na localidade de Lago do Pesqueiro, na cidade de Manacapuru (AM), quando a embarcação transportava 80 pessoas, de acordo com a Marinha. Os bombeiros afirmam que uma lista não oficial aponta que entre 20 e 25 pessoas permanecem desaparecidas.

– É difícil precisar o número exato pois não havia um registro oficial de quantos passageiros o barco transportava – observa a secretária de Trabalho, Assistência Social e Habitação da prefeitura do município, Marta Regis Afonso.


O Estado de São Paulo Exército terá mais pelotões em áreas indígenas
Planalto quer mostrar que não há empecilho para entrada e atuação de militares em reservas
Tânia Monteiro e Vannildo Mendes

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva autorizou ontem o Exército a instalar cinco novos pelotões de fronteira em terras indígenas, preferencialmente na Região Norte, na área da reserva Raposa Serra do Sol, vizinha à Guiana e à Venezuela. Isso elevará o número de pelotões dos atuais 24 para 29. “É o mínimo para uma implantação imediata. Mas será preciso instalar muito mais pelotões porque a área é muito rarefeita”, disse ao Estado o ministro da Defesa, Nelson Jobim.

Segundo ele, ao fim da reunião com Lula, o ministro da Justiça, Tarso Genro, e o comandante do Exército, Enzo Peri, ficou acertado que a Força apresentará o plano de criação dos pelotões dentro de 40 dias. “E a instalação é para acontecer em seis meses”, afirmou Jobim.

O governo decidiu ainda que vai inserir um artigo no Decreto 4.412, de outubro de 2002, que “dispõe sobre a atuação das Forças Armadas e da Polícia Federal nas terras indígenas”. O objetivo é deixar bem claro que não há empecilho de nenhuma natureza para a entrada, ocupação e operação do Exército nas áreas indígenas.

O Brasil não vai aceitar, por exemplo, a recomendação da Declaração dos Povos Indígenas, aprovada na Organização das Nações Unidas (ONU) no ano passado, segundo a qual será preciso autorização do Conselho Nacional de Defesa para o envio de tropas para as reservas. O Brasil assinou a declaração, apesar de ela falar em “autodeterminação” para os territórios indígenas. Estados Unidos, Canadá, Austrália e Nova Zelândia não aprovaram o texto da ONU.

As decisões tomadas ontem são uma resposta ao questionamento feito por militares e civis em torno da ação de algumas organizações não-governamentais (ONGs) que chegam a barrar a entrada dos militares nas áreas indígenas. Em entrevista ao Estado, no dia 27 de abril, o deputado e ex-ministro Aldo Rebelo (PC do B-SP) disse ter presenciado ONGs fazendo isso no Norte do País.

DESARMAMENTO
De acordo com Tarso, o governo quer estender à população indígena da Raposa Serra do Sol a operação de desarmamento. A ofensiva já atingiu fazendeiros e jagunços, na segunda-feira, depois do conflito em que dez índios foram feridos a bala.

O ministro disse que a situação está sob controle e não há risco imediato de novo conflito, mas o governo se antecipará a uma eventual convulsão após a decisão final que o Supremo Tribunal Federal (STF) tomará, nos próximos dias, sobre a demarcação da reserva. “Vamos desarmar toda a região, não só fazendeiros, mas índios e não-índios em geral, de modo a restabelecer a paz e a normalidade na área”, disse. “Se alguém for pego com arma será desarmado e responderá a processo legal.”

A posição do governo, segundo o ministro, continua sendo em favor da demarcação da reserva em área contínua, conforme estabelece o decreto de abril de 2005, mas enfatizou que qualquer que seja a decisão do STF ela será respeitada. “A decisão que o STF tomar será acatada como a posição do estado.”


O Estado de São Paulo ACIDENTE
Mais 12 corpos resgatados no AM
Já chegam a 46 os mortos em naufrágio no Rio Solimões, segunda maior tragédia no Estado em dez anos
André Alves

O naufrágio do barco Comandante Sales 2008, ocorrido na madrugada do domingo, no Rio Solimões, já é considerado o segundo maior dos últimos dez anos no Amazonas, em número de vítimas. O número de mortos deste acidente chega a 46. Ontem, as equipes de resgate que “varrem” o rio em busca de desaparecidos encontraram mais 12 corpos, alguns, a até 30 quilômetros do local em que ocorreu o naufrágio.

De acordo com o comandante do Corpo de Bombeiros, coronel Antônio Dias, entre os 12 corpos encontrados ontem havia um homem e uma mulher que estavam juntos e foram resgatados a 20 quilômetros de distância do local do acidente. Outros corpos foram localizados perto do encontro dos Rios Negro e Solimões, próximo da Ceasa de Manaus (Central de Abastecimento do Amazonas), a 30 quilômetros de onde o barco Comandante Sales naufragou.

Ao todo, foram oito homens e quatro mulheres resgatados ontem. O coronel Antônio Dias acredita que os corpos encontrados a quilômetros de distância são de pessoas que tentaram se salvar, mas, sem saber para onde nadavam, acabaram indo para o meio do Rio Solimões, e foram levados pela correnteza. A embarcação Comandante Sales 2008 naufragou na madrugada do último domingo, às 5h45, antes do sol nascer.

Para o prefeito de Manacapuru, Washington Régis, cidade natal de todas as vítimas do acidente, o número total de passageiros mortos na tragédia poderá chegar a 50. Até ontem, a estimativa era de que pelo menos dez pessoas continuavam desaparecidas. Diariamente, mais queixas de parentes reclamando por familiares desaparecidos chegam à Prefeitura de Manacapuru e ao Corpo de Bombeiros.

NÚMEROS
Em quantidade de vítimas, o acidente com o barco Comandante Sales 2008 é inferior apenas ao naufrágio da embarcação Ana Maria VIII, que afundou no Rio Madeira em 1999, também no interior do Amazonas, deixando 52 mortos. A informação é do 9º Distrito Naval, responsável pela fiscalização de barcos na Amazônia Ocidental (Amazonas, Roraima, Rondônia e Acre).

Nos últimos três anos ocorreram 50 naufrágios na Amazônia Ocidental, que vitimaram 64 pessoas. Ao todo, foram 132 acidentes (entre colisões e naufrágios) de 2005 a 2008, provocando 98 vítimas fatais. Só em 2005 houve 34 naufrágios na Amazônia Ocidental, segundo dados da Marinha. Em 2006, foram 9 e, no ano seguinte, 12. Com o naufrágio do Comandante Sales 2008 chega a dez o número de naufrágios só este ano na região.

A malha fluvial da Amazônia Ocidental mede, aproximadamente, 22 mil quilômetros. A Capitania dos Portos Fluvial da Amazônia Ocidental tem 550 homens para fiscalizar cerca de 16 mil embarcações legais que trafegam a região. Segundo o comandante da Capitania dos Portos, Dennis Teixeira, o número de agentes é suficiente para monitorar toda a região.

BUSCAS
As buscas por corpos de desaparecidos ainda conta com um batalhão de aproximadamente 100 homens, entre agentes da Marinha, do Exército, dos Bombeiros e das policiais Civil e Militar. Um helicóptero e 14 lanchas são usados na operação.


O Estado de São Paulo EUROPA
Russos mostram força em parada

O Kremlin planeja coroar a cerimônia de posse de Dmitri Medvedev com a tradicional parada militar anual, que celebra, amanhã, a vitória russa sobre a Alemanha nazista em 1945.

O desfile deste ano na Praça Vermelha será o maior desde a época da Guerra Fria, com aviões bombardeiros, canhões, lançadores de mísseis e colunas de tanques. Será a primeira vez desde 1990, um ano antes do colapso da União Soviética, que a parada apresentará artilharia pesada.

Os EUA afirmaram que não estavam preocupados com a parada militar russa. “Se eles querem pegar aqueles equipamentos velhos e levá-los para dar uma volta, que fiquem à vontade”, disse, na terça-feira, Geoff Morrel, secretário do Pentágono.

Segundo analistas, a gigantesca parada é uma demonstração de força de Moscou e também uma maneira de mascarar as atuais condições de seu Exército, cujo poderio e a mentalidade ainda estão muito ligados ao passado soviético.

“Eles vão exibir os equipamentos militares mais modernos que possuem, mas esses armamentos ‘de última geração’ são bastante obsoletos”, disse à agência ‘Reuters’ o general da reserva holandês Marcel de Haas, pesquisador do instituto Clingedael.

O poderio militar russo tem sido o motivo de atenção internacional. Moscou ameaçou, por exemplo, atacar a Geórgia se o país invadir regiões separatistas apoiadas pela Rússia, como a Abkházia.


O Estado de São Paulo SIDERURGIA
CSN investirá US$ 2,2 bi no Porto de Sepetiba
Steinbruch diz que a CSN vai se tornar a segunda maior siderúrgica do mundo em valor de mercado
Natalia Gómez e Mônica Ciarelli

A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), que hoje ocupa o quinto lugar no ranking siderúrgico mundial, anunciou ontem investimento de US$ 2,2 bilhões (R$ 3,7 bilhões, ao câmbio atual) na ampliação de suas instalações no Porto de Sepetiba, no Rio. O projeto, que estará concluído até 2013, visa atender ao aumento das exportações de minério de ferro e produtos siderúrgicos. Prevê até a construção de um porto privativo, já batizado de Lago de Pedra, tradução do tupi Itaguaí, município onde está localizado o porto.

O anúncio foi feito durante conferência com analistas do mercado financeiro para apresentação do balanço da companhia. No primeiro trimestre a CSN registrou lucro de R$ 767 milhões, uma alta quase inexpressiva em relação ao resultado do mesmo período de 2007, de R$ 763 milhões. Mas não suficiente para frear o entusiasmo do presidente da empresa, Benjamin Steinbruch, que chegou a prever para o segundo trimestre o melhor resultado de toda a história da companhia.
“Temos todas as matérias-primas compradas aos preços antigos e contaremos com os preços mais elevados de aço e minério de ferro”, disse. O direcionamento das vendas de aço para o mercado interno, que oferece melhores preços, ajudará a companhia. Ele calcula que o mercado de minério de ferro permanecerá aquecido até 2012, graças ao que classificou como um ciclo virtuoso na demanda mundial, impulsionado pela China e por outros países emergentes, como Índia, Rússia e Brasil. “Não vejo como a China poderia parar de crescer”, afirmou.

Steinbruch também assumiu o compromisso de levar a CSN à segunda colocação no ranking do setor, em valor de mercado, até o dia da apresentação dos resultados do segundo trimestre. Segundo ele, o que separa hoje a CSN da coreana Posco, segunda maior do mercado, é um valor de US$ 3 bilhões. A Posco tem valor de U$ 44,2 bilhões. “Temos essa obrigação, mas não é uma questão de criatividade. É a maturação dos investimentos realizados pela companhia”, disse.
Nos próximos quatro ou cinco anos, a empresa pretende chegar a US$ 90 bilhões de valor de mercado - a maior empresa do mundo no setor, a Arcelor Mittal, vale hoje US$ 144 bilhões. “Estamos vivendo um bom momento para o mundo por causa da entrada de novos consumidores”, afirmou.

PORTO
O porto privativo da CSN funcionará próximo ao Porto de Sepetiba, em uma área pertencente à companhia. O novo terminal terá investimentos de US$ 719 milhões, além de US$ 283 milhões em uma área de armazenagem. Segundo o diretor de portos e logística da companhia, Davi Cade, o porto terá como vantagem a distância em relação aos centros urbanos e a proximidade da ferrovia da MRS. “O porto privativo está em fase inicial de licenciamento”, disse.

Segundo Cade, o fato de o terreno pertencer à CSN torna o custo do projeto mais competitivo em comparação aos portos públicos. A capacidade anual será de 60 milhões de toneladas de minério de ferro, 12 milhões de toneladas de carvão e 11 milhões de toneladas de carga geral e produtos siderúrgicos.
O projeto inclui a construção de um centro de apoio logístico que ficará no arco que liga todas as rodovias que chegam ao Rio de Janeiro e próximo ao porto de Sepetiba.

CASA DE PEDRA
O diretor-financeiro da CSN, Otávio Lazcano, foi enfático ao afirmar que a empresa nunca se comprometeu oficialmente a fazer uma oferta pública de ações da Mina de Casa de Pedra. “Nunca houve uma data ou um pedido de registro da operação”, lembrou, dizendo que não há data para a oferta pública inicial e “nem sequer o compromisso em fazê-la”. O executivo explicou que até o momento a CSN apenas informou ao mercado financeiro sua intenção em estudar diversas opções que pudesse trazer valor para os ativos de mineração.


O Globo Urânio: país pode quebrar monopólio
Dilma diz que governo estuda entrada do setor privado no segmento nuclear
Gustavo Paul e Cristiane Jungblut

BRASÍLIA. O governo estuda a entrada da iniciativa privada no processo de produção e enriquecimento de urânio, com vistas às futuras usinas e térmicas nucleares a serem construídas no Brasil. A flexibilização do histórico monopólio estatal do setor foi admitida ontem pela ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, durante o depoimento sobre o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) na Comissão de Infra-estrutura do Senado. A ministra alertou que o país precisará incrementar o parque gerador nuclear, pois entre 2020 e 2030 o atual modelo energético, baseado na geração hidrelétrica e nas térmicas a gás, óleo e carvão, estará próximo do esgotamento.

A entrada do capital privado neste ramo é uma demanda de grandes empresas de mineração, como a Vale, que vai investir na Austrália. O empresário Eike Batista, dono da holding EBX, também já disse querer explorar o minério. Há no mundo um mercado potencial de US$12 bilhões de compra e venda de urânio, ávido por fornecedores, mas o monopólio estatal impede a entrada das empresas privadas no setor.

O Brasil detém a sexta maior reserva conhecida do planeta. E, nos últimos anos, a demanda internacional cresceu a tal ponto que se calcula que haja um déficit de cerca de 60 mil toneladas para atender aos interessados.

Usina de Angra 3 vai custar ao governo R$7,3 bilhões
Dilma disse que a construção da usina nuclear de Angra 3 está garantida e que outras virão, como já indica o planejamento do setor elétrico. As projeções comportam a existência de oito usinas no país até 2030.

- A gente acredita que mais de uma usina será necessária nos próximos anos.

Segundo ela, para atender à demanda, o governo deve contar com a ajuda privada:

- Existem alguns cenários que não só dizem respeito às usinas e à cadeia da energia nuclear: a produção, exploração e enriquecimento de urânio. E como se daria a participação, nesse caso, da iniciativa privada?

A ministra disse que o governo tem pressa:

- Tem de começar a fazer agora, porque, em média, uma usina demora de cinco a seis anos para ser feita.

No caso de Angra 3, usina que irá gerar 1.350 megawatts (MW) e vai custar R$7,3 bilhões, o governo aguarda a conclusão do estudo de impacto ambiental, que deve ficar pronto em junho. A data prevista para a conclusão da obra é maio de 2014.



O Globo Quebra-cabeça climático
Reduções nas concentrações de poluentes impõem secas severas na Amazônia
Roberta Jansen

Oequilíbrio climático na Floresta Amazônica é muito mais delicado e intrincado do que se imaginava. Novo estudo publicado na "Nature" mostra que, paradoxalmente, reduções nas concentrações atmosféricas de determinados poluentes extremamente maléficos à saúde humana e à do planeta podem exacerbar eventos de seca na região tão dramáticos quanto os registrados em 2005.

Assinado por cientistas britânicos e brasileiros, o estudo revelou que a diminuição do volume de partículas de dióxido de enxofre na atmosfera favorece a ocorrência de períodos mais secos - evento que pode ser letal para a floresta. Estima-se que, a partir de 2060, nove em cada dez anos sejam de secas intensas na floresta, o que levaria à rápida savanização preconizada para a área.

Mas que ninguém pense que o ar mais puro é indesejável, alertam Carlos Nobre e José Marengo, do Instituto de Pesquisas Espaciais (Inpe), que participaram do estudo coordenado por Peter Cox, da Universidade de Exeter, no Reino Unido. Os poluentes fazem muito mal à saúde - são 3 mil mortes a mais por ano só na grande São Paulo, segundo a USP, por exemplo - e provocam chuvas ácidas. Para os especialistas, apesar de as partículas reduzirem um pouco o aquecimento global, seria "imoral" retardar a sua redução. Elas precisam ser eliminadas, asseguram.

Corte drástico de gás-estufa é a saída
A queima de combustíveis fósseis que contêm enxofre, como diesel e carvão, emite, além dos gases do efeito estufa, o dióxido de enxofre. Este gás, em reações químicas subseqüentes na atmosfera, se transforma em sulfato, um sal que reflete a luz. Ou seja, enquanto os gases-estufa fazem a temperatura global aumentar, o sulfato ameniza um pouco esse efeito ao refletir parte da luz do Sol de volta para o espaço. Essa redução seria de cerca de 0,5 grau Celsius em um século.

Esse efeito, mais intenso no Hemisfério Norte onde boa parte das termoelétricas queima carvão, levou a um resfriamento às águas do Atlântico Norte. Quando as águas desta parte do oceano estão mais frias, a floresta tende a ficar mais úmida. Entretanto, a redução das emissões de dióxido de enxofre - que vem sendo imposta justamente dados os seus malefícios - faz com que as águas apresentem temperaturas mais elevadas. A conseqüência desse intrincado desequilíbrio seria a ocorrência de mais períodos de seca na Amazônia. A única solução possível, dizem os cientistas, é a redução ainda mais drástica das emissões de gases-estufa.

- É uma interpretação errada do estudo achar que se deveria retardar a redução dos particulados; essa é uma maneira errada de olhar para o problema - alerta Carlos Nobre. - Não existe nenhuma justificativa ética possível para se retardar a limpeza do ar urbano. A solução é diminuir ainda mais rapidamente as emissões dos outros gases para compensar o efeito artificial dos aerossóis.

José Marengo concorda com o colega do Inpe:
- Certamente não se pode estimular a poluição no Hemisfério Norte. Estudos anteriores já demonstraram que com a redução significativa dos gases-estufa o efeito dos aerossóis se torna menos importante. Teríamos então menos secas porque haveria uma compensação.

Além dos malefícios à saúde, os poluentes também mascaram os efeitos do aquecimento do planeta, segundo Nobre:

- Os aerossóis estão mascarando o máximo impacto do aquecimento global; eles dão a ilusão de que o problema não é tão grave.



O Globo AMAZONAS
Nascente é localizada a 5 mil metros, nos Andes peruanos

Cientistas caminham pelo local em que localizaram a nascente do Rio Amazonas, nas montanhas Quehuisha, no Peru, 5.150 metros acima do nível do mar. Foram 12 anos de pesquisas, coordenadas pelo polonês Jacek Palkiewicz para que o ponto exato onde nasce o rio fosse apontado. O arroio Apacheta, no departamento (estado) de Arequipa, é a origem do mais caudaloso rio do mundo, segundo o estudo apresentado pela Sociedade Geográfica de Lima. Dessa forma, geólogos e geógrafos peruanos validaram as investigações feitas pelo explorador polonês, que empregou critérios hidrográficos e geomorfológicos para determinar o local. Os especialistas consideram que o estudo põe um ponto final à polêmica que já dura séculos sobre qual seria o verdadeiro manancial original do Amazonas. O local apontado pelos pesquisadores é diferente do ponto que até então se considerava como o mais provável para a nascente do rio - localizado a mais de 10 quilômetros das montanhas Quehuisha. Palkiewicz explicou que sua expedição seguiu o curso do rio "até as alturas andinas, eliminando afluentes e seguindo critérios geográficos" para identificar sua origem. Trata-se de um pequeno arroio que flui por uma camada de gelo subterrâneo.



Valor Econômico Lula decide criar mais postos militares na Amazônia

Após o acirramento dos conflitos na reserva indígena Raposa/Serra do Sol, em Roraima, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu ontem que o governo federal vai aumentar o número de postos militares nas áreas fronteiriças da Amazônia. A orientação do presidente foi transmitida aos ministros Tarso Genro (Justiça) e Nelson Jobim (Defesa), que deverão definir os números e os detalhes do texto do decreto a ser editado.

O ministro da Justiça negou que a decisão tenha sido provocada pela pressão das Forças Armadas, especialmente do Exército, após as críticas do comandante militar na Amazônia, general Augusto Heleno, que condenou a política indigenista do governo federal.

"Eu e o ministro Jobim vamos trabalhar para apresentar ao presidente Lula um decreto para a instalação de mais postos militares na Amazônia. Vamos constituir um programa de aumento desses postos", afirmou Tarso, depois de se reunir com Lula, Jobim e o presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai), Márcio Meira, no Palácio do Planalto.

No inicio da tarde de ontem, os índios deixaram a fazenda Depósito, na reserva Raposa/Serra do Sol, que havia sido ocupada na madrugada de segunda-feira. Uma funcionária da fazenda confirmou que os índios deixaram a área por volta das 13h30 e montaram novas tendas do outro lado da cerca.

O índio macuxi Dionito Souza, coordenador do Conselho Indígena de Roraima (CIR), disse que os índios decidiram deixar o local até que o STF julgue as ações sobre a demarcação de terra da reserva. Segundo o CIR, os índios decidiram deixar a fazenda após reunião com representantes do Ministério da Justiça. A reserva é alvo de disputa entre índios e agricultores que cultivam arroz na região.

Após a decisão dos índios de desocupar a fazenda Depósito, na reserva Raposa/Serra do Sol, Tarso Genro negou que tenha ocorrido nos últimos dias um agravamento dos conflitos na região. Segundo ele, a tendência é de "distensão".

Otimista, o ministro disse que está convencido que após o julgamento das ações envolvendo a Raposa/Serra do Sol , será possível encerrar o impasse na região. "Vamos seguir a orientação do Supremo. Esta é uma posição de Estado", disse Genro.

O ministro-relator das 33 ações que tratam do assunto, Carlos Ayres Britto, do STF , disse ontem que concluirá seu voto até o fim da semana. Segundo ele, o esforço será para que o tema seja julgado pelo Supremo ainda este mês. Britto ressaltou que até a decisão do mérito, a liminar - que dá aos arrozeiros direito de ficar no local e determina que os indígenas não podem invadir as áreas em que vivem os produtores rurais - deve ser respeitada.

Para o ministro do Supremo, a Polícia Federal) e a Força Nacional de Segurança (FNS) atuaram corretamente na região, pois têm a atribuição de defender áreas federais.

"Toda atividade da Polícia Federal será pautada por dois parâmetros: a polícia não pode desalojar quem está região nem pode permitir que haja uma invasão da terra deles, porque, do contrário, os arrozeiros ficarão cercados na própria casa, convivendo com o inimigo", disse o ministro. "No mais, todo o cuidado e responsabilidade são do governo federal e das forças de segurança."